Pelo menos 60 mil morreram nas rotas migratórias em 20 anos

A rota que passa pelo Mediterrâneo central é a mais perigosa

Pelo menos 60 mil migrantes morreram ou desapareceram nos últimos 20 anos quando tentavam chegar a algum país desenvolvido, informou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Daquele total, 10.000 morreram desde outubro de 2013 ao tentarem atravessar o Mediterrâneo para alcançar a Europa.

A tendência geral é de um aumento da mortalidade nas rotas migratórias, com 5.400 migrantes mortos em todo o mundo em 2015 e 3.400 apenas na primeira metade de 2016, 80% dos quais no Mediterrâneo.

Contudo, a OIM considera aqueles dados subestimados, dado muitas vítimas desaparecerem no mar ou em zonas remotas e os seus corpos não serem recuperados, não entrando nas estatísticas.

A rota migratória que passa pelo Mediterrâneo central, entre o norte de África e Itália, é a mais perigosa e onde se multiplicam os naufrágios, não sendo recuperados grande parte dos cadáveres.

Segundo a OIM, em 2015 foram recuperados os corpos de menos de metade dos que morreram no Mediterrâneo.

"Desde o início de 2016, a taxa de mortalidade no Mediterrâneo central é de uma morte por cada 23 pessoas que tentam atravessar este mar, o que é uma estatística chocante", assinalou o diretor do Centro de Análise de Dados da OIM, Frank Laczko, adiantando que "o risco de morte é maior, embora não tenha aumentado a quantidade de pessoas que tentam fazer a travessia".

Laczko indicou que as 60.000 vítimas mortais documentadas constituem "uma estimativa muito conservadora" face ao que se acredita ser a realidade.

Um dos problemas detetados é a inexistência de um lugar central de informação para as famílias dos migrantes desaparecidos.

No caso da fronteira entre o México e os Estados Unidos, a OIM refere dados do Centro Colibri para os Direitos Humanos que indicam 2.700 pessoas desaparecidas em 2015.

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