Passa nas portagens nesta quarta-feira? Nelson Mandela vai estar à sua espera

Há alguém com quem gostasse de construir ou reconstruir uma ligação? Uma ponte? Nesta quarta-feira, Dia Internacional Nelson Mandela, é uma boa oportunidade para fazê-lo. O IPAV dá uma ajuda. Veja como

Se nesta quarta-feira passar nas pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, entre as 07.00 e as 10.00, receberá dos portageiros um postal alusivo ao centenário do nascimento de Nelson Mandela com a frase "Nós podemos mudar o mundo e torná-lo um lugar melhor. Está em nossas mãos fazer a diferença". Nele pode escrever uma mensagem e entregá-la depois a uma pessoa com gostasse de construir ou reconstruir uma ligação. Uma ponte.

O mesmo acontecerá a quem, no mesmo horário, passar nas estações de comboio de Sete Rios, Cais do Sodré, Entrecampos e Roma-Areeiro. E ainda na estação de metro do Campo Grande. Aí os postais serão distribuídos por voluntários da Academia de Líderes Ubuntu do Instituto Padre António Vieira (IPAV).

"Num mundo tão fragmentado, mais do que nunca, precisamos de construir pontes, em vez de muros. Com a Academia de Líderes Ubuntu, inspiramos jovens a ser construtores de pontes como Mandela foi capaz de ser. Com eles, lembraremos, no Dia Mandela, que é tempo de ser pontífice: construtor de pontes", disse ao DN Rui Marques, presidente do IPAV e coordenador da Academia Ubuntu.

Ubuntu é uma palavra africana que, apesar de só ter seis letras, alude a um conceito muito mais vasto: o sentido profundo de que só somos humanos através da humanidade dos outros, e que se neste mundo realizamos alguma coisa, isso se deve em igual medida ao trabalho dos outros.

"Celebrar Mandela é tornar presente o seu legado para os nossos dias. As causas da promoção da dignidade humana e da justiça social continuam presentes e exigem de nós uma resposta. Não podemos ser indiferentes. E com Academia Ubuntu damos uma resposta concreta, em 12 países, a esse desafio", sublinhou o mesmo responsável.

Nas pontes serão distribuídos cinco mil postais, três mil na 25 de abril e dois mil na Vasco da Gama. Outros cinco mil serão distribuídos nas estações de comboio e de metro referidas, para assinalar os 100 anos do nascimento de Mandela, a 18 de julho.

Líder histórico da luta contra o regime racista branco do apartheid, Mandela esteve preso 27 anos. Na cadeia de Robben Island - das três por que passou aquela onde esteve mais tempo - era o detido 46664. O primeiro presidente negro eleito democraticamente na África do Sul cumpriu apenas um mandato. Morreu, aos 95 anos, a 5 de dezembro de 2013.

Além da distribuição dos postais, o IPAV organiza ainda uma série de seminários com a participação de figuras como John Carlin, autor do livro que inspirou o filme Invictus de Clint Eastwood, D. Ximenes Belo, Nobel da Paz, ou António Mateus, jornalista da RTP que passou vários anos na África do Sul e entrevistou Mandela duas vezes.

Além desta iniciativa, está previsto, já nesta terça-feira, às 21.15, na Praça do Município em Lisboa, um concerto em homenagem do centenário de Mandela pelo Gospel Collective, que inclui, entre muitos outros nomes, os da moçambicana Selma Uamusse e da são-tomense Anastácia Carvalho. Como convidado especial, subirá ao palco o angolano Kalaf Epalanga, ex-Buraka Som Sistema.

Mais a norte, na praia do Aterro, em Matosinhos, acontece entre quarta e sexta-feira o Nelson Mandela Music Tribute. Martin Garrix, Gabriel o Pensador, Steven Tyler, Bob Geldof, Kaiser Chiefs, Nuno Bettencourt, Youssou N'Dour, Soweto Gospel Choir, Calema, Pablo Alborán e Rui Veloso são alguns dos nomes que sobem ao palco. O evento tem o apoio da Fundação Nelson Mandela e da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA).

Num vídeo divulgado pela associação, Olívia, doente diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica (ELA), deixa um pedido: que Rui Veloso cante em Matosinhos o tema Loucos de Lisboa. Olívia tem 69 anos e a doença foi-lhe diagnosticada em fevereiro deste ano. A ELA afeta 70 mil pessoas em todo o mundo. Em Portugal, segundo a APELA, entre 600 e 800. No verão de 2014, através do desafio Ice Buket Challenge, lançado nas redes sociais pela associação norte-americana e que consistia em derramar um balde de água gelada por cima da cabeça, muitas pessoas ficaram a conhecer mais sobre a doença.

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