Partido FARC apela a ex-guerrilheiros para não voltarem a recorrer às armas

Vinte dissidentes das FARC anunciaram na quinta-feira, num vídeo divulgado nas redes sociais, que vão recomeçar a luta armada.

O partido Força Alternativa Revolucionária Comum, formado na Colômbia pela ex-guerrilha das FARC, apelou aos seus membros para não voltarem a recorrer às armas, após a revolta de ex-líderes que abandonaram o acordo de paz de 2016.

Rodrigo Londoño, ex-número um da antiga guerrilha e hoje presidente do partido, convidou "os que podem ser tentados pelos cantos de sereia dos desertores da paz (...) a refletir, meditar, analisar com cuidado a realidade, antes de decidirem cometer um tal erro". Numa circular dirigida aos militantes da Força Alternativa Revolucionária Comum (FARC), Londoño, também conhecido pelo nome de guerra "Timochenko", declarou que o "partido condena e distancia-se do regresso às armas".

Vinte dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), dirigidos por Iván Marquez, ex-número dois da guerrilha e chefe dos negociadores do acordo de paz, anunciaram na quinta-feira num vídeo divulgado nas redes sociais que vão recomeçar a luta armada, argumentando com a "traição" do Estado ao acordo que levou ao desarmamento da maioria dos guerrilheiros.

"Sabemos que aqueles que hoje se dizem líderes não vão fazer a guerra. Ficarão do outro lado da fronteira" na vizinha Venezuela, adiantou Londoño, afirmando que "a revolta armada não tem futuro". O presidente colombiano, Iván Duque, ordenou uma ofensiva militar contra o que qualificou de "bando de narco terroristas que contam com o acolhimento e ajuda da ditadura de Nicolas Maduro" na Venezuela.

O partido FARC denunciou por diversas vezes a falta de garantias de segurança para os seus membros após o assassínio de mais de uma centena de ex-guerrilheiros desde a assinatura da paz no final de novembro de 2016. A grande maioria dos cerca de 7.000 ex-guerrilheiros das antigas FARC entregou as armas para se reinserir na sociedade civil, mas alguns, dispersos em vários grupos sem um comando unificado, colocaram-se à margem do processo de paz e regressaram à clandestinidade.

Segundo os serviços de informações militares, estes dissidentes serão cerca de 2.000 em todo o território colombiano, dedicando-se na sua maioria ao tráfico de droga e à mineração ilegal.

Ainda que a violência tenha diminuído depois do histórico acordo de paz com a mais antiga rebelião do continente, a Colômbia continua dilacerada depois de mais de meio século de uma guerra fratricida que envolveu guerrilhas, paramilitares de extrema-direita e forças governamentais e causou mais de oito milhões de vítimas, entre mortos, desaparecidos e deslocados.

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