Papéis do Panamá: Presidente argentino nega qualquer ilegalidade

"É uma operação legal, feita por outra pessoa, constituindo uma sociedade 'offshore' para investir no Brasil",

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, mencionado, com o pai, nos designados "Papéis do Panamá", negou, na segunda-feira, qualquer ilegalidade. Mauricio Macri disse que a constituição da empresa Fleg Trading, de que foi diretor e é referida na lista, foi "legal" e que "não houve nada de estranho" nessa operação.

"No caso particular que a mim me compete, é uma operação legal, feita por outra pessoa, constituindo uma sociedade offshore para investir no Brasil, um investimento que finalmente não foi feito enquanto eu fui diretor", disse numa entrevista ao diário La Voz del Interior.

O chefe de Estado argentino, que assumiu a presidência em dezembro passado, depois de uma carreira no grupo empresarial do pai - o italiano Franco Macri -, e como dirigente desportivo, explicou que a sociedade, constituída nas Bahamas, deixou de operar em 2008 "porque não realizou o investimento" planeado no Brasil.

"Não há nada de estranho nessa operação", insistiu Macri, garantindo que a mesma foi declarada na Direção Geral de Impostos da Argentina porque o seu pai criou essa sociedade "com recursos genuínos que tinha na Argentina". Por sua vez, Franco Macri disse que o seu filho mais velho não teve participação no capital da Fleg Trading, empresa que aparece mencionada nos "Papéis do Panamá".

Franco Macri disse em comunicado que essa sociedade era propriedade sua e que foi "devidamente declarada perante as autoridades competentes, em especial, às autoridades fiscais na República Argentina".

A maior investigação jornalística da história, divulgada na noite de domingo, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em offshores e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

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