Papa "veste" crucifixo com colete salva-vidas. "Salvem os refugiados"

Francisco recebeu um grupo de 33 refugiados que deixou a ilha de Lesbos, na Grécia, e apelou ao encerramento do centro de detenção de migrante na Líbia. Reafirmou que os refugiados são vítimas de injustiça.

São dois coletes salva-vidas que contam histórias reais. Um foi entregue ao papa Francisco há alguns anos por um grupo de socorristas - o colete estava no corpo de uma menina que se afogou no Mediterrâneo. O segundo, oferecido ao papa Francisco por outro grupo de socorristas há alguns dias, pertencia a um migrante que perdeu a vida no mar em julho passado. Ninguém sabe quem ele era ou de onde veio. "Estamos diante de outra morte causada pela injustiça. Sim, porque é a injustiça que força muitos migrantes a deixar suas terras", disse Francisco a 33 refugiados recém-chegados da ilha grega de Lesbos, através de um corredor humanitário, que na quinta-feira foram recebidos no Vaticano.

O papa disse ao grupo que tinha doado o primeiro dos coletes salva-vidas aos dois subsecretários da secção de migrantes e refugiados do Vaticano. "Esta é a sua missão", disse, citado pela Vatican News.

O segundo colete foi colocado num crucifixo simbólico para lembrar o sofrimentos dos migrantes, com o Papa a explicar o seu significado espiritual: "Em Jesus Cristo, a cruz é uma fonte de salvação, 'loucura para os que se perdem - diz São Paulo -, mas para os que se salvam, para nós, é a força de Deus'. Na tradição cristã, a cruz é um símbolo de sofrimento e sacrifício e, ao mesmo tempo, de redenção e salvação." Este crucifixo, disse Francisco, serve para "lembrar a todos o compromisso imperativo de salvar toda a vida humana, um dever moral que une os crentes e não-crentes".

Durante o encontro, Francisco apelou ao encerramento dos centros de detenção de migrantes na Líbia, nos quais, acusou, os futuros refugiados morrem lentamente de práticas "ignóbeis de tortura e escravatura".

Além disso, o papa encorajou os resgates de migrantes no Mar Mediterrâneo. "Como podemos não ouvir o grito desesperado de tantos irmãos e irmãs que preferem arriscar os mares tempestuosos em vez de morrerem lentamente nos campos de detenção da Líbia, locais de tortura ignóbil e escravidão", questionou.

O Papa Francisco, que tem feito da denúncia da situação dos refugiados um pilar do seu papado, exige que os países recebam e integrem aqueles que fogem de dificuldades e conflitos.

Em 2016, quando visitou um campo na ilha de Lesbos, trouxe de volta consigo, a bordo do avião em que viajou, um grupo de refugiados sírios para ser realojado em Itália.

Este grupo de 33 refugiados, entre os quais estão 14 menores, foi acolhido em Roma pela Comunidade de Santo Egídio no dia 4, graças a um corredor humanitário acompanhado pelo cardeal Konrad Krajewski. Chegam do Afeganistão, Camarões e Togo e entre eles há dez cristãos. Todos têm em comum "uma história de guerra, violência e pobreza".

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