Papa envia mensagem em português aos moçambicanos e pede que rezem pela reconciliação

Papa Francisco vai estar em Moçambique entre os dias 4 e 6 de setembro

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos moçambicanos, antes do início da sua visita ao país. Agradecendo o convite que lhe foi endereçado pelo presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, bem como pelos bispos do país, o líder da Igreja Católica convidou os moçambicanos a rezarem com ela pela reconciliação.

"Convido a todos vós, para vos unirdes à minha oração, a fim de Deus, o pai de todos, consolide a reconciliação fraterna em Moçambique e na África inteira. A única esperança para uma paz firme e duradoura", disse o Papa, falando em português, num vídeo que foi partilhado pelo jornal moçambicano O País.

A 6 de agosto, Frelimo e Renamo - o maior partido da oposição em Moçambique - assinaram, em Maputo, um acordo para selar a reconciliação entre os dois partidos e pôr fim ao conflito armado que continuava a dividir o país desde 1977. Apesar disso, a Renamo está dividida. O líder da autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana, Mariano Nhongo, que contesta a liderança de Ossufo Momade, ameaçou, numa entrevista à Lusa, com uma ação militar durante a campanha para as eleições de 15 de outubro.

"Queridos irmãos e irmãs, sei que muitos estão a trabalhar na preparação da minha visita, muitos com orações. Agradeço-lhes muito. Sobre vós e o vosso país invoco as bênçãos de Deus e a proteção da nossa mãe, a Virgem Maria. Até breve", declarou o santo padre, ao "querido povo de Moçambique", no vídeo que gravou.

No mesmo dia, em Maputo, a Igreja Católica pediu que não se faça campanha eleitoral durante a visita do Papa a Moçambique, entre os dias 4 e 6 de setembro.

A campanha eleitoral para as eleições gerais de 15 de outubro arranca no sábado e o bispo auxiliar de Maputo, António Juliasse, fez esta sexta-feira, em conferência de imprensa, um apelo para que "não se misturem as coisas".

A visita vai decorrer "num período de campanha e o santo padre veio encontrar-se com todo o povo moçambicano", realçou, citado pela agência Lusa.

Assim, "dentro do respeito de uns para outros, não se devem usar estes locais para momentos políticos. Não apenas verbalmente, mas devemos também ter o cuidado em não sermos portadores daquilo que nos pode dividir, em termos de roupa e outros materiais".

O bispo auxiliar espera "muitos autocarro de várias províncias" e peregrinos de outros países da África Austral.

Haverá também tarifas específicas das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) para facilitar as viagens de avião dentro do país.

Dentro da capital moçambicana, uma comissão criada para preparar a visita, organizou percursos de transportes públicos especiais para servir os diferentes eventos em que o papa vai participar - nomeadamente a missa campal na sexta-feira, dia 6 de setembro, no estádio do Zimpeto.

A organização prevê que possam chegar a juntar-se 90 mil pessoas para o evento.

Na semana passada, o padre diocesano José Luzia, da província moçambicana de Nampula, acusou a Comunidade de Santo Egídio de ter influenciado a favor da visita ao país do Papa Francisco em plena campanha eleitoral, criando condições para beneficiar a Frelimo (partido de Filipe Nyusi).

"Não se percebe como é que a Comunidade de Santo Egídio manobrou durante dois anos para trazer o papa exatamente dentro de uma campanha eleitoral", declarou José Luzia, citado pela Lusa, à margem da conferência "Igreja em Moçambique: ontem e hoje".

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