Há 49 migrantes fechados em navios à espera de ajuda. Papa lança apelo à Europa

Papa apela aos líderes europeus para serem solidários com migrantes retidos em Malta

O papa Francisco apelou hoje aos líderes europeus para mostrarem "solidariedade concreta" com os 49 migrantes ainda retidos em dois navios de Organizações Não Governamentais (ONG) de Malta, alguns dos quais há mais de duas semanas.

"Durante vários dias, 49 pessoas resgatadas no Mediterrâneo embarcaram em dois navios de ONG à espera de um porto seguro para desembarcar, e exorto os líderes europeus a mostrar solidariedade concreta em relação a estas pessoas", disse o chefe da Igreja Católica aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, por ocasião da oração tradicional do ângelus.

O navio "Sea Watch 3" resgatou, a 22 de dezembro, 32 migrantes ao largo da Líbia e, desde então, tenta obter autorização para aportar. Há uma semana, o navio Professor Albrecht Penck, da Sea-Eye resgatou outras 17 pessoas. O Governo português já comunicou à Comissão Europeia que está disponível para acolher até dez pessoas, após o desembarque.

"O Governo português já comunicou à Comissão Europeia que está disponível para acolher até dez pessoas, após o desembarque"

Os bispos de Malta e de Gozo também já enviaram uma carta à Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia a pedir apoio para estes migrantes bloqueados no Mediterrâneo. "Enquanto nós, católicos, celebrávamos a natividade de Nosso Senhor cujo abrigo foi refutado em seu nascimento, a Europa rejeitou dar refúgio a um grupo de 32 migrantes", referem os bispos, que se mostram muito preocupados com a situação.

"Levaram algum presente a Jesus?"

Este domingo, durante a missa da solenidade da Epifania, na Basílica de São Pedro, o papa Francisco apelou a que se imite a generosidade dos Reis Magos, empreendendo o "caminho do amor humilde". "Para encontrar Jesus há que procurar um caminho diferente, há que seguir um caminho alternativo, o seu, o caminho do amor humilde. E há que mantê-lo", assinalou o papa.

Francisco afirmou que só os Reis Magos viram a estrela no céu que os guiou até à manjedoura onde nasceu Jesus, "não os escribas, nem Herodes, nem nenhum outro em Jerusalém". "Hoje, estamos convidados a imitar os Reis Magos. Eles não discutem, seguem caminhando, deixaram as suas casas e tornaram-se peregrinos pelos caminhos de Deus", acrescentou.

O chefe da Igreja Católica sublinhou ainda que "para vestir o traje de Deus, que é simples como a luz, é necessário despojar-se antes dos vestidos pomposos". E advertiu os fiéis: "quantas vezes seguimos os olhares sedutores de poder e fama, convencidos de prestar um bom serviço ao evangelho. Mas então tornaram o foco de luz para o lado errado, porque Deus não está lá. A sua luz ténue brilha no amor humilde". "Quantas vezes, mesmo como Igreja, tentamos brilhar com luz própria. Mas nós não somos o sol da humanidade. Somos a lua que, apesar das suas sombras, reflete a luz verdadeira, o Senhor: ele é a luz do mundo, ele, não nós", acrescentou.

Na festa da Epifania, o papa disse que os "Reis Magos vão ao Senhor não para receber, mas para dar" e questionou: "levaram algum presente a Jesus para a sua festa no Natal, ou trocaram presentes entre vós". E recordou o ouro, o incenso e a mirra mencionados no Evangelho, como símbolos dos presentes que se devem dar a Deus.

Antes da homilia, seguindo a tradição, foi anunciada solenemente, em latim, a data da Páscoa deste ano (21 de abril) e as festas litúrgicas que lhe estão associadas, em datas móveis, como a quarta-feira de Cinzas (06 de março) ou o Corpo de Deus (20 de junho).

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