Países europeus não se entendem sobre a época do esqui

O esqui e o turismo de montanha, atividades com grande peso económico nalguns países, estão a gerar mais um ponto de discórdia devido à pandemia.

A temporada de esqui é uma parte fundamental das férias de Natal na Europa, mas com os casos de covid-19 em alta a ideia de ir para as pistas está a revelar-se cada vez mais controversa.

A Alemanha procura uma proibição a nível da União Europeia do turismo de esqui durante o Natal para travar as transmissões de coronavírus, mas outros países, incluindo a vizinha Áustria, manifestaram oposição.

Segue-se um resumo da posição dos principais intervenientes sobre o assunto.

Comissão Europeia

Bruxelas indicou que deixará a decisão ao critério de cada governo. "A primeira coisa a saber é que a decisão de permitir ou não a prática do esqui é, evidentemente, uma competência nacional. Isto não é uma competência europeia", disse o porta-voz da Comissão Europeia Stefan de Keersmaecker.

"Obviamente, não existe uma abordagem universal para o levantamento gradual, científico e eficaz das medidas de contenção", concluiu.

Alemanha

As autoridades da Baviera, região de esqui da Alemanha, pronunciaram-se enfaticamente a favor de uma proibição de férias nas pistas de esqui.

"Não podemos ter as férias clássicas de esqui", disse o ministro-presidente da Baviera, Markus Soeder, tendo em conta as atuais taxas de infeção.

Soeder aconselhou também os alemães a não fazerem a simples travessia da fronteira para irem para as pistas na Áustria, pois enfrentariam uma quarentena de 10 dias quando regressassem - mesmo para viagens de um dia - uma vez que o país vizinho é classificado como uma zona de risco de coronavírus.

Áustria

Viena manifestou a sua oposição à assinatura de um acordo de proibição de férias de esqui.

Ao chamar ao turismo de esqui "parte da identidade nacional", o chanceler Sebastian Kurz afirmou que tais férias de inverno vão manter-se de pé.
A diferença é que ficam excluídas as festas de après-ski, ponto de convivência social entre os turistas.

Serão também ordenadas regras estritas de distanciamento para diminuir os riscos de transmissão, de acordo com funcionários governamentais.

Os turistas devem manter sempre pelo menos um metro de distância, usar máscaras em teleféricos, enquanto bares e restaurantes servirão bebidas e comida apenas a clientes sentados.

Bulgária

A Bulgária não tem planos para cancelar as férias de esqui no país, com as três principais estâncias - Bansko, Pamporovo e Borovets - a abrirem em dezembro.

"Não há razão para cancelar a época de esqui. Não é o desporto mas as festas de après-ski que desencadearam a propagação da covid-19 na Europa", disse Ivan Obreikov, porta-voz da Ulen, uma empresa que opera teleféricos de esqui em Bansko.

Os restaurantes de todo o país estão neste momento fechados até 21 de dezembro, mas os hotéis e as casas de férias estão abertos.

Eslovénia

Uma decisão sobre a abertura ou não das estâncias durante o Natal nos Alpes Julianos da Eslovénia está pendente.

Uma proibição dos transportes públicos em curso neste momento aplica-se também aos teleféricos. No entanto, a maioria das estâncias de esqui começaram a preparar os seus percursos com neve artificial, na esperança de que, até dezembro, conseguiriam que os turistas entrassem.

Espanha

A Espanha tem contado até agora com a abertura das suas estâncias de esqui, mas as condições ainda estão por definir entre as autoridades regionais e o governo federal.

Nos Pirenéus, a região da Catalunha quer abrir as suas estâncias a partir de 21 de dezembro, data em que as limitações que impedem as pessoas de entrar ou sair das regiões deverão ser levantadas.

Mas alguns operadores de esqui esperam um início ainda mais cedo.

Itália

No início da semana o primeiro-ministro Giuseppe Conte sugeriu a ideia de coordenar com a França e a Alemanha um "protocolo europeu comum" para travar o turismo de esqui.

"Não é possível permitir férias na neve, não nos podemos dar a esse luxo", disse Conte em entrevista o canal La7.

Até agora, não surgiram mais pormenores, e Conte teria também de negociar com as poderosas autoridades regionais italianas antes que qualquer proibição pudesse ser instaurada.
Os operadores de estâncias de esqui opõem-se ferozmente, com alguns a advertirem que seguir o apelo da Alemanha significaria matar toda a temporada.

França

As estâncias desportivas de inverno são livres de abrir durante as férias de Natal, disse o primeiro-ministro Jean Castex na quinta-feira, mas os teleféricos de esqui terão de permanecer fechados.

Castex disse que são permitidas férias de montanha, mas o esqui alpino foi na realidade descartado.

"Naturalmente, todos são livres de viajar para as estâncias para desfrutar do ar puro das nossas belas montanhas, e das lojas que estarão abertas, embora bares e restaurantes não estejam", disse em conferência de imprensa.

"Mas todos os teleféricos e todos os equipamentos coletivos de esqui estarão fechados ao público", disse Castex.

O esqui de fundo, o trenó e as caminhadas na neve estão entre as atividades de neve que normalmente não requerem elevadores mecânicos.

Polónia

Após uma reunião, na segunda-feira, da administração do Ministério do Desenvolvimento, Trabalho e Tecnologia com a indústria do esqui, foi tomada a decisão de abrir as pistas durante todo o inverno.

A utilização de pistas de esqui será realizada de acordo com as regras constantes do regime sanitário em vigor na Polónia.

Suíça

Na Suíça, país duramente atingido pela segunda vaga de covid-19, as autoridades, os setores do esqui e do turismo mantiveram-se unidos por detrás da decisão de manter a temporada do inverno.

"Na Suíça, podemos ir esquiar, com planos de proteção em vigor", disse quinta-feira o ministro suíço da Saúde, Alain Berset, aos jornalistas.
No entanto, acrescentou que o governo daquele país extracomunitário iria reexaminar a situação antes das férias de Natal.

Por agora, Berna está a optar por confiar nas pessoas para respeitar as medidas de proteção postas em prática pelos operadores de teleféricos e escolas de esqui, incluindo o requisito de máscara em todo o lado, exceto nas pistas.

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