Outras sete regiões espanholas ponderam seguir exemplo da Galiza e proibir fumar nas ruas

Madrid, Andaluzia, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Valência, Astúrias e Cantábria estudam a aplicação de uma medida semelhante à da Galiza.

A partir desta quinta-feira, a Galiza proíbe fumar na rua ou em espaços públicos, como terraços, se a distância de segurança de dois metros não puder ser garantida. É a primeira comunidade a dar o passo, mas existem outras que estudam fazê-lo há semanas.

Andaluzia, Castela-La Mancha e Castela e Leão confirmaram nesta quarta-feira estar em ponderação. E nesta quinta-feira sabe-se que Astúrias, Cantábria, Comunidade Valenciana e Madrid também estão a avaliar a implementação da medida.

O conselheiro da Saúde de Madrid, Enrique Ruiz Escudero, disse nesta quinta-feira que tomará a medida "sem qualquer dúvida", caso conclua que tem poderes para o fazer. Especialistas como os da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (Separ) recomendam a medida para prevenir a propagação do vírus.

O presidente em funções na Galiza, Alberto Núñez Feijóo, anunciou nesta quarta-feira a nova restrição em conferência de imprensa após reunião com os cientistas que o aconselham: "Vários membros da comissão clínica concordaram que fumar sem qualquer limitação, seja na esplanada, com pessoas próximas ou em áreas com grande afluxo de cidadãos, sem nenhuma distância física de segurança, é um alto risco de contaminação, de infeção".

Várias comunidades estão a estudar a implementação de uma medida semelhante. Castela e Leão, por exemplo, colocou a questão no grupo de assessoria técnica do governo regional, mas nenhuma decisão foi ainda tomada, informou um porta-voz.

A Andaluzia pretende avaliar essa possibilidade nesta quinta-feira, em reunião com os seus especialistas. Castela-La Mancha garante que também está em avaliação. O mesmo acontece com os técnicos de Saúde Pública da Comunidade Valenciana. O vice-presidente da Cantábria, Pablo Zuloaga, disse que se trata de uma das opções que o seu conselheiro de saúde apresentou no Conselho de Governo, embora ainda não tenha sido tomada qualquer decisão. As Astúrias também ponderam tomar esta medida, do ponto de vista epidemiológico e jurídico. "Nos próximos dias, saberemos as possibilidades de podermos adotá-la", disse a porta-voz do governo asturiano, Melania Álvarez.

O conselheiro de Saúde de Madrid, por sua vez, garantiu que o executivo de Isabel Díaz-Ayuso "avaliou a proibição" na altura, mas os serviços técnicos concluíram que era da competência do Estado e tinham "dúvidas". Segundo Ruiz Escudero, se "a possibilidade a nível legislativo" que a Galiza utilizou pudesse ser adaptada, proibiria fumar na via pública "sem dúvida alguma" se a distância de segurança não pudesse ser cumprida.

A medida está em linha com o documento elaborado em julho pela Comissão de Saúde Pública do Sistema Único de Saúde, que alertava para o facto de que fumar e vaporizar aumenta o risco de contágio por covid-19, uma vez que o fumo contém gotículas e corre-se mais riscos de contágio ao tirar a máscara para fumar.

Alberto Fernández Villar, chefe do serviço de pneumologia do hospital de Vigo e membro da comissão clínica que aconselhou Feijóo, sublinha que não se trata de proibição de fumar na rua, mas sim de o fumador "ser rigoroso ao fazê-lo, para que possa garantir que mantém a distância mínima de segurança quando fuma em público". Este especialista apresenta várias razões para colocar essa restrição em prática. A primeira é a saúde pública: "Sabe-se que fumadores com covid-19 têm uma carga viral mais alta e são potencialmente transmissores mais eficazes." Quando expiram, expelem um maior número de gotículas que contenham o vírus. "Agora existe o paradoxo de que uma pessoa está a fumar na rua, a andar sem máscara e o resto da população não fumador está a usar máscara. Devemos todos refletir sobre isso, até os fumadores", afirma.

Também há motivos para a proteção individual na decisão da Galiza. "Há evidências muito claras de que a agressividade da doença em fumadores é muito maior. Pode multiplicar por cinco a oito vezes o risco de pneumonia grave." Além disso, o fumador leva a mão à boca muito mais vezes do que o não fumador. Entre 200 e 300 vezes ao dia, garante Fernández Villar. "O risco de contágio para o fumador é maior." Tocar na máscara para baixá-la de cada vez que se dá uma tragada também aumenta o risco de contaminação da máscara se uma superfície contaminada tiver sido tocada anteriormente.

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