Opositor de Maduro dá "prova de vida" em vídeo mas família não acredita

Circulam rumores de que Leopoldo López morreu num hospital militar

Foi divulgado esta quarta-feira na televisão pública da Venezuela um vídeo de Leopoldo López, dirigente da oposição, em que este diz estar bem de saúde. A prova de vida terá sido gravada e emitida em rede nacional pois circulam rumores de que López, que está preso desde 2014, terá morrido esta semana num hospital militar.

A família do opositor, que foi condenado a 14 anos de prisão, diz que não o vê há um mês e que o vídeo - que se percebe facilmente ter sido editado - é falso.

"Hoje é dia 3 de maio e são 9 da noite", diz López na gravação de poucos segundos. "Uma mensagem para Miriam: não sei porque pedem uma prova de vida neste momento. Mando uma mensagem à minha família e aos meus filhos. Digo que estou bem", continua.

A mensagem foi divulgada no programa de televisão de Diosdado Cabello, um dos homens fortes do partido do presidente Nicolás Maduro.

Os rumores de que o opositor terá morrido surgiram na quarta-feira, após o jornalista venezuelano Leopoldo Castillo ter escrito no Twitter que López tinha sido transferido da prisão para um hospital militar "sem sinais vitais".

"Informação: transferência de Leopoldo López de Ramo Verde para o hospital militar, sem sinais vitais. Regime coloca hipótese de intoxicação", escreveu o jornalista.

"A minha conta não foi pirateada. Lamento partilhar esta informação", escreveu Leopoldo Castillo minutos depois.

Os boatos ganharam mais peso minutos depois, quando o senador norte-americano Marco Rubio confirmou no Twitter que Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, estava num hospital militar.

"Confirmei que Leopoldo López foi levado para um hospital militar em estado grave", escreveu o senador republicano.

Lilian Tintori e Antonieta Mendonza, mulher e mãe de López, foram ao hospital militar onde estará o dirigente mas não lhes foi dada autorização para o verem, segundo a BBC.

As duas mulheres foram depois para a porta da prisão de Ramo Verde, onde passaram a noite na esperança de verem Leopoldo.

"O vídeo da ditadura é falso. A única prova de vida que vamos aceitar é ver o Leopoldo", disse Lilian, citada pela Reuters. A mulher diz que não vê o marido a mais de um mês.

"Exigimos vê-lo. Não é um favor, é o nosso direito", continuou a mulher. "Os seus filhos têm o direito de saber como ele está".

Os rumores da morte do dirigente começam numa altura em que a contestação social na Venezuela atinge níveis preocupantes, com protestos frequentes a favor e contra o presidente. Estima-se que no último mês tenham morrido 33 pessoas durante as manifestações e 1300 tenham sido presas.

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