ONU vai definir com Guiné-Bissau projeto de apoio para combate ao tráfico de droga

Depois de uma apreensão de 789 quilos de cocaína na Guiné-Bissau, a Organização das Nações Unidas quer elaborar um projeto para combater o tráfico de droga no país

O adjunto do representante do secretário-geral da ONU para a Guiné-Bissau, David McLachlan-Karr, disse hoje que as Nações Unidas estão a colaborar com as autoridades guineenses para definir um projeto de apoio ao combate ao tráfico de droga.

"Da parte das Nações Unidas, estamos a colaborar e a cooperar com o Governo da Guiné-Bissau para acelerar um projeto de apoio", disse o responsável.

David McLachlan-Karr explicou que o projeto visa dar mais oportunidades de formação aos agentes da Polícia Judiciária, entre outros aspetos, e vai ter também ter a colaboração do Gabinete da ONU de Combate à Droga (UNODC), em Dacar.

O adjunto do representante do secretário-geral da ONU para a Guiné-Bissau falava aos jornalistas na sede da PJ em Bissau, antes da incineração de quase 800 quilogramas de cocaína apreendidos no sábado, na véspera das eleições legislativas, com um valor de cerca de 18 milhões de euros.

"É uma quantidade muito grande que significa a dimensão do problema aqui na Guiné-Bissau, um país de trânsito da África Ocidental", afirmou David McLachlan-Karr, sublinhando que o projeto que está a ser delineado vai ser bastante importante para o país.

No último relatório sobre o país enviado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral da ONU, António Guterres destaca que desde julho de 2018 foram detidas 14 pessoas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, e apreendidos 24 quilogramas de cocaína.

"Isto representa um aumento de 40% dos suspeitos detidos e de 300% das drogas apreendidas em relação ao relatório anterior", refeiru António Guterres.

Exclusivos

Premium

Nuno Severiano Teixeira

"O soldado Milhões é um símbolo da capacidade heroica" portuguesa

Entrevista a Nuno Severiano Teixeira, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo ministro da Defesa. O autor de The Portuguese at War, um livro agora editado exclusivamente em Inglaterra a pedido da Sussex Academic Press, fala da história militar do país e da evolução tremenda das nossas Forças Armadas desde a chegada da democracia.

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.