ONU exige a Maduro que solte opositores. Justiça fala em fuga

Presidente do Parlamento Europeu pede sanções contra Nicolás Maduro após detenção de Leopoldo López e Antonio Ledezma

"Recebemos dos serviços secretos informações que davam conta de um plano de fuga dos ditos cidadãos, e, devido à urgência da situação, foram ativados os procedimentos de prevenção correspondentes". Foi assim que, pouco mais de 24 horas após a polémica eleição para a Assembleia Constituinte, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela justificou a detenção durante a madrugada dos opositores Leopoldo López e Antonio Ledezma, que se encontravam em prisão domiciliária, levada a cabo por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN).

Lilian Tintori, a mulher do antigo autarca de Chacao, anunciou a detenção do marido através das redes sociais: "12.27 da madrugada: momento em que a ditadura sequestra Leopoldo em minha casa. Não o vão vergar!". López voltara a casa a 8 de julho, após quase três anos e meio detido. Mitzy Capriles, a mulher de Ledezma, denunciou, a partir de Madrid, o "sequestro" do seu marido, afirmando que o SEBIN o "levou abruptamente" de casa durante a madrugada "sem mostrar uma ordem de detenção". A prisão de López foi captada por uma câmara de videovigilância, enquanto que o momento em que Ledezma é levado pelas autoridades foi captado pela sua filha.

"De destacar que as condições impostas a [Leopoldo] López não permitiam realizar nenhum tipo de campanha política, devido à sentença que pesa contra si", salientou ontem, o Supremo. No caso de Ledezma, foi-lhe imposta a obrigação de se abster de emitir declarações, sob pena de revogação da pena atribuída, sublinhou o mesmo tribunal.

Já na manhã de ontem foi confirmada a informação de que os dois estavam detidos na prisão militar de Ramo Verde - estabelecimento nos arredores de Caracas, onde ambos já estiveram encarcerados - após horas sem ser conhecido o seu paradeiro. Juan Carlos Gutiérrez, o advogado de López, adiantou que o SEBIN deteve o seu cliente sem apresentar nenhuma ordem judicial. Oriette Ledezma, a filha do ex-presidente do Distrito Metropolitano de Caracas, explicou que foi até Ramo Verde, onde foi informada de que só poderia ver o pai na sexta-feira, dia em que é permitida da visita de familiares.

Já durante a tarde, Lilian Tintori partilhou um vídeo gravado a 17 de julho e que intitulou como a "última mensagem de Leopoldo aos venezuelanos" antes da sua detenção. Nesse vídeo, com 6.34 minutos, López surge ao lado da mulher, dizendo estar "disposto a avançar e a continuar", apesar do risco que isso representa para a sua família, o que considera "ser o caminho para a liberdade e a democracia".

Condenação internacional

Os Estados Unidos - que na segunda-feira classificaram Nicolás Maduro como um ditador e anunciaram o congelamento de todos os bens do presidente venezuelano sob jurisdição norte-americana - expressaram ontem "profunda preocupação" com a detenção dos dois opositores, considerando-a uma "nova prova do autoritarismo do regime" e "mais um passo na direção errada para a Venezuela", declarou um alto responsável do Departamento de Estado, Francisco Palmieri.

Já o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu ontem à Comissão Europeia que imponha sanções aos membros do governo de Nicolás Maduro. "Enviei duas cartas ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e ao presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, solicitando a possibilidade de congelar os ativos e impor uma proibição de viajar à União Europeia aos membros do governo da Venezuela, entre eles o presidente, Nicolás Maduro, e a sua equipa", anunciou o líder parlamentar, em comunicado. Para Tajani, as detenções de López e Ledezma são "injustificadas" e este episódio "é outro passo na direção da ditadura na Venezuela".

Bruxelas condenou igualmente ontem o sucedido, referindo que é "mais um passo na direção errada", referiu a porta-voz de Federica Mogherini, a chefe da diplomacia europeia. A mesma fonte adiantou que a italiana já pediu a Caracas "mais informações" sobre a "confusa" situação dos dois opositores.

Também o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra"ad Al Hussein, se mostrou ontem "profundamente inquieto" com a situação de Leopoldo López e Antonio Ledezma. "Liberte imediatamente todos os que estão detidos por exercerem o seu direito à liberdade de reunião pacífica, de associação e de expressão", pediu o jordano ao governo de Nicolás Maduro.

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