"Olivia, por favor, telefona e vem para casa"

A plateia era formada sobretudo por jovens, que descrevem o que se passou. Há pais que ainda procuram os filhos

Os relatos de quem lá estava são muito semelhantes. Uma explosão. Pessoas a gritar e a correr. O caos. Pelas 22.30, no final do concerto de Ariana Grande, na Manchester Arena, quando as luzes se acenderam e o público já estava a abandonar o recinto, houve um rebentamento no foyer. A sala tem capacidade para 21 mil pessoas. Pelo menos 22 morreram, e 59 ficaram feridas.

Erin McDougle: "Sabíamos que não fazia parte do show"

"Houve um estrondo enorme no fim do concerto", contou ao The Guardian Erin McDougle, de 20 anos, de Newcastle. "As luzes já se tinham acendido, por isso sabíamos que não fazia parte do show. Ao princípio achámos que era uma bomba. Havia imenso fumo. As pessoas começaram a correr para sair dali. Quando chegámos cá fora vimos dúzias de carrinhas de polícia e algumas ambulâncias."

Chris Pawley: "Toda a gente entrou em pânico"

"Ouvimos uma grande explosão", contou Chris Pawley, de Manchester, ao programa Tucker Carlson Tonight, da Fox News. "Toda a gente entrou em pânico." Pawley, que filmou o momento com o seu telemóvel, estava nesse instante a sair do concerto com um amigo. Tinham acabado de passar pela bilheteira e já se encontravam no exterior, quando ouviram a explosão. Pensaram entrar na estação de comboios mais próxima, a Victoria Station, para se protegerem mas foi-lhes dito para não o fazerem. "Foi a pior experiência de sempre", contou. "Fomos a correr até ao carro, não parámos de correr." Chris Pawley lembra-se de ter visto uma multidão de pais, que estava à porta da sala de espetáculos, à espera de que os filhos saíssem do concerto. "Se tivéssemos saído uns 30 segundos mais tarde, teríamos sido apanhados lá no meio", contou o jovem, emocionado. "Estou confuso, porque é que alguém haveria de querer fazer isto a alguém..."

Courtney Spencer: "Sentimos a explosão no peito"

"Basicamente foi isto: ouvimos uma enorme explosão na Arena e as pessoas começaram a gritar e a correr", contou ao jornal inglês The Sun Courtney Spencer, estudante de 17 anos, que se encontrava na Manchester Arena. "Foi uma explosão gigantesca, sentimo-la no peito." No momento, a jovem não sabia exatamente o que se tinha passado: "Aconteceu mesmo à nossa frente, no cimo das escadas, mas não sabíamos o que era. Podia ter sido uma pistola ou uma bomba." Courtney tinha ido ao concerto com uma amiga: "Agarrámo-nos uma à outra e começámos a fugir." Nesse momento, foi o caos na sala de espetáculos, com toda a gente a tentar chegar o mais rapidamente às portas de saída.

Emma Jones: "Havia corpos por todo o lado"

Emma Jones foi ao concerto de Ariana Grande com as suas duas filhas. À BBC Radio 5 Live, ela contou que pensa ter visto o bombista suicida, responsável pelo ataque: "Virei-me e vi algo vermelho e brilhante no topo, com um painel cinzento à frente. Foi isso que se destacou, porque era tão intenso, entre a multidão de pessoas. Mas foi tudo muito rápido e logo aconteceu a explosão." Ela estaria a meia dúzia de metros: "Aconteceu perto do local onde estavam a vender o merchandise." E contou ainda: "Havia corpos de pessoas mortas por todo o lado. Eu vi bocados de corpos."

Charlotte Campbell: "Não sei sequer se ela está viva"

Charlotte Campbell não foi ao concerto de Ariana Grande com a filha, Olivia, de 15 anos. Ficou em casa, em Manchester, enquanto Olivia foi ao concerto com um amigo, Adam. A última vez que soube notícias da filha foi na segunda-feira à noite, por volta das 20.30, pouco antes da cantora subir ao palco: Olivia mandou-lhe uma mensagem, feliz, agradecendo-lhe pelo facto de a ter deixado ir ao concerto. De então para cá, o telefone de Olivia está incontactável. Desligado. Numa entrevista em vídeo para o jornal inglês The Daily Mail, Charlotte Campbell não escondeu, ontem, o desespero: "Não sei sequer se ela está viva." A mãe já tinha falado para os hospitais, Adam já tinha sido localizado num dos hospitais mas nenhum deles tem qualquer registo de Olivia. E também não a conseguiu encontrar em nenhum dos hotéis em que os jovens desacompanhados foram alojados após o acontecimento. A fotografia de Olivia foi divulgada pela família e pelos amigos nas redes sociais, alguns deles estavam à sua procura pela cidade. Charlotte Campbell diz que "todos os cenários possíveis" lhe passam pela cabeça mas gostaria de acreditar que ela ainda vai aparecer à porta de casa a qualquer minuto: "Olivia, a mamã ama-te, por favor telefona e vem para casa."

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