Obama elogia Merkel na crise dos refugiados

Presidente dos Estados Unidos disse que a chanceler soube enfrentar a maior emergência humanitária na Europa desde 1945.

A chanceler alemã Angela Merkel "está do lado certo da história" na forma como tem atuado na crise dos refugiados, "dando voz aos princípios que aproximam as pessoas em vez de as dividir. Num mundo global, a solução não é construir muros", declarou o presidente Barack Obama numa conferência de imprensa coma líder do governo de Berlim, ontem à chegada a Hanôver.

Após o encontro com os media, Merkel e Obama inauguraram a edição de 2016 da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, em que os Estados Unidos são este ano o país convidado. Uma escolha que resulta dos EUA serem hoje o principal parceiro económico da Alemanha. O que se reflete na dimensão da delegação americana, a maior no certame, e no jantar de honra a Obama, ontem à noite, com representantes das maiores empresas alemãs.

O presidente americano não poupou elogios a Merkel, salientando que teve de fazer opções difíceis para responder a uma crise humanitária sem comparação na Europa desde 1945. Mais de um milhão de refugiados, principalmente sírios, foi acolhido em 2015 na Alemanha.

No plano económico, Obama e Merkel expressaram apoio à Parceria Transatlântica para o Comércio e Investimento (PTCI) que está a ser negociada entre os EUA e a União Europeia (UE). Para Merkel, que é uma das principais defensoras do acordo do lado europeu, esta "é boa para a a economia alemã e é boa para a economia europeia", representando "uma grande ajuda ao crescimento" económico da UE.

Obama disse esperar que as negociações possam estar concluídas "até final do ano" e que, então, "as pessoas poderão perceber porque é que o acordo é positivo". O PTCI enfrenta forte contestação de certos círculos na Europa, que temem um nivelamento por baixo das normas sanitárias da UE e uma grande latitude para a atuação das empresas. Ontem, e já no sábado, milhares de pessoas estiveram nas ruas de Hanôver contra o PTCI e para hoje espera-se nova marcha de protesto.

A crise na Ucrânia e o conflito na Síria foram também abordados, tendo Obama, neste último caso, rejeitado a criação de uma área segura para refugiados no norte do país, pois isso implicaria uma presença militar no terreno. Ou seja uma invasão, o que o presidente considerou impraticável.

Merkel e Obama reúnem-se hoje em cimeira informal com o chefe de Estado francês, François Hollande, e os primeiros-ministros do Reino Unido e Itália, David Cameron e Matteo Renzi.

Ainda sobre o cenário de uma saída do Reino Unido da UE, numa entrevista à BBC difundida ontem, Obama insistiu no argumento de que, a verificar-se, ao contrário do afirmado pelos defensores do brexit, "não seria possível negociar um acordo [de comércio livre] com os EUA mais depressa do que a UE". Até porque os EUA "não iriam desistir de negociar um acordo com o nosso parceiro principal, o mercado europeu", avisou o dirigente americano.

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