Obama dá Hillary como certa. Na hora de escolher o vice, outra mulher?

No seu último jantar dos correspondentes na Casa Branca, presidente não poupou candidatos à sua sucessão. Com Hillary e Trump perto da nomeação, aumentam apostas para o ticket.

Barack Obama até pode ter comparado as tentativas de Hillary Clinton para conquistar o voto jovem àquele familiar que todos temos, que aderiu agora ao Facebook e não sabe como funciona. Mas no seu 8.º e último jantar dos correspondentes na Casa Branca, o presidente revelou não ter dúvida sobre quem lhe vai suceder em janeiro de 2017. "No próximo ano por esta altura, estará aqui alguém diferente, e todos sabemos quem é que ela será", garantiu num discurso que não poupou os candidatos às presidenciais de 8 de novembro. Sobretudo Donald Trump, o magnata que apesar das polémicas se mantém favorito à nomeação republicana e que optou por não ir a esta cerimónia.

"Este jantar será demasiado rasca para The Donald? O que estará ele a fazer? Estará em casa a comer bifes Trump, a tweetar insultos contra [a chanceler alemã] Angela Merkel? O que estará a fazer?", brincou Obama. Quanto às acusações de que o milionário do imobiliário, mais famoso por ter apresentado o reality show The Apprentice do que pelos dotes diplomáticos, não tem experiência de política externa, o presidente garante serem mentira, até porque Trump "passou anos reunido com líderes de todo o mundo: Miss Suécia, Miss Argentina, Miss Azerbaijão", numa referência aos concursos de Miss Universo que Trump organizava.

Veja aqui o discurso na íntegra de Obama:

Numa sala cheia de jornalistas e muitas estrelas do cinema e televisão, apenas se via um dos candidatos presidenciais: Bernie Sanders, o senador do Vermont, rival improvável de Hillary na corrida democrata.

Mas Obama também revelou uma grande dose de auto ironia, descrevendo-se, a partir de janeiro, como o "comandante do sofá". Num curto vídeo mostrou como vai ser a sua vida em Washington (onde fica a viver até a filha mais nova terminar o liceu): à procura de "emprego" como treinador de basquetebol ou obrigado a ter aulas de condução após anos com direito a motorista.

Trump lidera no Indiana

Piadas à parte, a campanha para a sucessão de Obama continua, com os candidatos de olhos postos no Indiana, que vai a votos amanhã. E Donald Trump não tem dúvidas: se ganhar, a corrida republicana está resolvida, deixando o senador do Texas Ted Cruz e o governador do Ohio, John Kasich, tão longe da nomeação que estes não teriam já hipótese de recuperar. As sondagens parecem dar-lhe razão. O último estudo Wall Street Journal/NBC News dá-lhe 15 pontos percentuais de vantagem - 49%, contra 34% de Cruz e 13% de Kasich.

Apesar de ainda ser matematicamente possível evitar que Trump chegue aos 1237 delegados necessários para garantir a nomeação antes da convenção de 18 a 21 de julho em Cleveland, se o milionário ganhar os 57 delegados do Indiana amanhã, esse cenário fica cada vez mais difícil. Com isso em mente, Cruz e Kasich acordaram na semana passada uma estratégia que passa por um deles se afastar em cada um dos próximos estados, facilitando a vitória do outro. Resta saber se será suficiente para travar Trump.

Ted Cruz, que na quinta-feira anunciou em Indianapolis a escolha de Carly Fiorina para sua vice - a ex-CEO da Hewlett-Packard desistiu da corrida republicana em fevereiro - e na sexta conseguiu o apoio do governador do Indiana, Mike Pence, aposta tudo nas primárias de amanhã e garantiu na NBC. "O nosso apoio está a subir!"

Depois de Cruz ter avançado com Fiorina como candidata a vice, as apostas para quem vai juntar-se aos tickets democrata e republicano estão em alta. E as mulheres lideram as listas.

Do lado democrata, Elizabeth Warren surge como hipótese tanto para Hillary Clinton como para Bernie Sanders. O senador do Vermont já disse que a senadora do Massachusetts daria uma excelente vice. E Hillary? Estaria disposta a arriscar num ticket 100% feminino? Bom, é pouco provável, mas, como escrevia o Politico, a candidatura Clinton-Warren seria o "sonho dos progressistas". Além de afastar as acusações de que a ex-primeira dama é demasiado próxima de Wall Street (de que Warren é crítica feroz) e apelar ao voto das mulheres. Mas um hispânico como o secretário da Habitação Julian Castro é mais provável.

Quanto a Donald Trump, a lista dos seus possíveis vices é longa, segundo o New York Times. Dos ex-rivais Chris Christie e Ben Carson ao ex-speaker Newt Gingrich. E apesar das declarações sexistas do candidato, também inclui mulheres: a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, ou a governador do Oklahoma, Mary Fallin.

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