Obama apoia Biden: "O Joe tem todas as qualidades que precisamos num presidente agora"

Ex-presidente apoia a candidatura do seu antigo vice num vídeo de 12 minutos, publicado nas redes sociais.

O ex-presidente norte-americano Barack Obama anunciou esta terça-feira o seu apoio a Joe Biden na corrida à Casa Branca. "Acredito que o Joe tem todas as qualidades que precisamos num presidente agora", disse Obama sobre o seu antigo vice-presidente.

"Joe tem o caráter e a experiência para nos guiar num dos nossos momentos mais difíceis e ajudar-nos a sarar as feridas durante uma longa recuperação", disse o ex-presidente num vídeo de 12 minutos, publicado nas redes sociais, referindo-se à pandemia de coronavírus.

"Acredito que o Joe tem todas as qualidades que precisamos num presidente agora", acrescentou Obama, indicando que escolher Biden para ter sido seu vice-presidente foi "uma das melhores decisões que alguma vez tomei" e de como ele se tornou "num amigo".

Numa crítica velada ao presidente Donald Trump, Obama disse ainda que Biden se vai rodear de pessoas boas, de "peritos, cientistas e oficiais militares que verdadeiramente sabem como lidar o governo, trabalhar com os nossos aliados e pôr sempre os interesses do povo americano acima dos seus próprios interesses".

Antes, depois de falar do coronavírus e do desafio que este representa, defendeu uma liderança "guiada pelo conhecimento e pela experiência, honestidade e humildade, empatia e graça", dizendo que este tipo de liderança "não pertence apenas aos capitólios estaduais ou aos gabinetes de presidentes da câmara, mas pertence também à Casa Branca".

No vídeo Obama explicou que o mundo hoje é diferente do de 2008, quando ele concorreu pela primeira vez à presidência, e que se tivesse que o fazer novamente não concorria com a mesma plataforma de então. Obama disse que a pandemia mostrou as desigualdades que já existiram e defende que é tempo de mudar e pensar no futuro.

"O Partido Democrata tem que ser ousado", defendeu. "Ainda antes de a pandemia virar o mundo do avesso, já era claro que precisávamos de mudanças estruturais verdadeiras", acrescentou, dizendo que só uma vitória democrata vai garantir isso.

"Porque uma coisa que já todos aprendemos é que os republicanos que ocupam a Casa Branca e lideram o Congresso não estão interessados em progresso. Estão interessados em poder", indicou Obama, reiterando que o futuro dos EUA depende das eleições de novembro.

"Não vai ser fácil. O outro lado tem um massivo baú de guerra. O outro lado tem uma rede de propaganda, com pouco respeito pela verdade", disse o ex-presidente, lembrando contudo que as pandemias têm o bom de limpar muito do ruído e mostrar o que é verdadeiro.

"Esta crise lembrou-nos que o governo importa. Que um bom governo importa. Que factos e a ciência importam. Que o estado de Direito importa. Que ter líderes que estão informados e são honestos e que procuram unir as pessoas em vez de as afastar. Esses líderes importam", disse Obama, dizendo que as eleições importam.

Obama depois de Sanders

O apoio de Obama surge depois de Biden ter recebido o apoio do único adversário que restava na corrida democrata, Bernie Sanders. De todos os adversários, só Elizabeth Warren ainda não apoiou Biden -- mas segundo a Associated Press estará a planear fazê-lo em breve.

Obama teceu também elogios a Sanders no vídeo, dizendo que ele é um homem que dedicou a sua vida a dar voz às esperanças, sonhos e frustrações da classe trabalhadora. Admitindo que nem sempre estiveram de acordo, diz contudo que há acordo na necessidade de tornar a América numa sociedade mais justa e equitativa.

Ao que tudo indica, o ex-presidente não tinha a intenção de interferir nas primárias democratas até que houvesse um vencedor.

O ex-vice-presidente disse que tinha "pedido ao presidente Obama" para não apoiá-lo na corrida à nomeação democrata quando lançou a sua candidatura, em abril de 2019. A nomeação democrata será oficial na convenção prevista para 17 de agosto. As presidenciais são em novembro e Biden terá como adversário o presidente Donald Trump.

Agora, depois de quebrar o silêncio, Obama poderá ajudar Biden nas recolhas de fundos para a campanha, sendo ainda bastante popular entre os democratas.

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