O que é que Kamala Harris e António Costa têm em comum?

Se Joe Biden derrotar Donald Trump nas eleições de novembro, os Estados Unidos terão pela primeira vez uma vice-presidente mulher, negra e de origem asiática. O jornal Washington Post dá conta de outros países do continente americano e europeu onde políticos com raízes indianas chegaram ao poder, incluindo Portugal.

A senadora Kamala D. Harris, a candidata a vice-presidente de Joe Biden, o candidato democrata às presidenciais norte-americanas de novembro, é filha de imigrantes - a mãe indiana e o pai jamaicano conheceram-se enquanto estudantes universitários, na Califórnia.

Adivinha-se uma campanha quente em que as questões identitárias vão polarizar o debate. Se serão ou não um trunfo é o que se verá.

A inspiradora história das suas origens tem suavizado, até certo ponto, escreve o Washington Post, a suspeição entre os progressistas norte-americanos em relação às posições políticas moderadas de Harris.

"Apesar da merecida crítica por parte da esquerda em relação a algumas das suas opções políticas, Obama e Harris representam a democracia cosmopolita e interracial em que a maioria dos americanos aspira viver atualmente", escreve Manisha Sinha, professora de história afro-americana na universidade de Connecticut, que tem também raízes indianas.

"Há pessoas que dirão que ela não é suficientemente negra. Há pessoas que dirão que ela não é suficientemente indiana", disse ao New York Times Shekar Narasimhan, fundador do AAPI Victory Fund, um grupo focado em mobilizar os eleitores americanos de origem asiática. "Mas ela traz tudo isso para cima da mesa e é por isso que penso que é uma verdadeira americana."

Kamala Harris é uma dos cinco democratas de origem indiana com lugar no Congresso norte-americano, um número que poderá subir depois das eleições de novembro. E o Washington Post lembra que, se se tornar vice-presidente dos Estados Unidos em janeiro, vai juntar-se a um conjunto de políticos de origem indiana que na última década chegaram à liderança no mundo ocidental.

Além do Canadá, onde o primeiro-ministro, Justin Trudeau, tem mais ministros sikh do que o primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, e do Reino Unido ou da Irlanda, o Washington Post destaca o nosso primeiro-ministro, António Costa, de ascendência goesa, "socialista, que apelou a que mais imigrantes fossem para o seu país", uma posição que o jornal apresenta por oposição à de Priti Patel, filha de imigrantes indianos, ministra britânica para os Assuntos Internos e que se tornou o rosto das políticas duras do seu país relativamente aos refugiados e migrantes, para dizer que a ascendência nem sempre é relevante na linha política adotada.

Os olhos dos democratas e progressistas norte-americanos estão agora todos postos em Kamala Harris. "É importante estrategicamente ter laços fortes entre os Estados Unidos e a Índia", diz o democrata Ro Khanna, citado pelo Washington Post. "Mas é importante que esses laços assentem nos valores do pluralismo e da inclusão".

Também ele de origem indiana, apoiou Bernie Sanders contra Biden, mas espera que Harris seja "líder" nas "questões da imigração, uso de armas, igualdade de género e justiça racial" e tenha um "espírito aberto" para as reformas sociais defendidas pela esquerda.

"É um momento histórico, independentemente de que lado do espetro político democrata estejamos ou a que partido pertençamos. Ter uma filha de imigrantes a poder tornar-se vice-presidente deve dar-nos grande esperança sobre a direção futura deste país", disse Khanna.

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