"O PSOE sabe que não vai ganhar e o seu líder está morto"

Jornalista e analista político, Ángel Expósito acredita que Rajoy será o próximo primeiro-ministro, com o PP aliado ao Ciudadanos.

O que mudou na política espanhola nos últimos seis meses?

Não vamos ter uma segunda volta das eleições mas sim eleições a sério. O que mudou é que agora todos nos conhecemos. O Podemos, ao contrário do que afirmou antes, quer e deve pactuar com o PSOE. O PSOE, ao contrário do que antes disse, quer e deve pactuar com o Ciudadanos e o Podemos, porque sozinho não consegue. O Ciudadanos pode chegar a acordo com PSOE ou PP. E o PP só tem uma hipótese: formar governo com o Ciudadanos. Temos as regras do jogo em cima da mesa. Pela primeira vez pequenas mudanças nos resultados vão ser muito importantes para o governo.

E, na sociedade espanhola, mudou muita coisa?

Pouco. O problema da corrupção mantém-se e prejudica o PP. As posições de centro de muitos mantêm-se, mas com um matiz. Muito eleitor do PP que foi para o Ciudadanos terá ficado chocado quando viu o acordo com o PSOE. Há uma parte sem esperança e antissistema do Podemos que pode cair pela má gestão nas câmaras municipais mas que vai ser compensada pelo pacto com a IU. Do ponto de vista sociológico, há pouca mudança. Mas por pouca mudança que exista na distribuição dos deputados pode alterar tudo. Passar de 122 para 125 ou de 90 a 85 é uma mudança brutal.

Como vai ser a campanha?

Vai ser uma chatice que não vai trazer nada e vai custar muito dinheiro. Não deveria existir porque já estivemos em campanha nos últimos seis meses. O que vão dizer agora os partidos que seja novo ou alguém possa acreditar? Vai ser uma campanha inútil.

Como chegam os partidos a estas eleições?

O PP tem um comportamento dúbio. Deixa que o inimigo cometa erros mas ao mesmo tempo deixa que alguém estrague as eleições porque estão sempre a surgir problemas à sua volta. O PSOE sabe que não vai ganhar, vai perder deputados e o seu líder está morto. Está a pagar pela gestão de Zapatero, tal como acontece aos socialistas portugueses com o legado de Sócrates, elevar o Podemos ao poder internacionalmente seria motivo de riso e há uma certa incerteza do partido nos grandes temas. O Podemos está a descer devido à sua ridícula gestão mas vai poder compensar em votos pelo acordo com a IU. E o Ciudadanos deve manter a votação, mesmo perante as dúvida dos seus eleitores em perdoar o acordo com o PSOE.

O PP está agora mais unido?

Vai depender do resultado. Em linhas gerais, está unido. Até hoje, penso que Rajoy vai ser presidente [do governo], com o apoio do Ciudadanos, falta saber a fórmula.

Rajoy é o homem invisível?

Bastante. Para os políticos que são showmen (Sócrates, Felipe González, Cameron...) é mais fácil estar presente graças à sua capacidade mediática. Mas Rajoy é como é, estilo Cavaco, um homem cinzento. Pode ser-se um bom presidente e um mau candidato.

Sánchez perdeu força?

A liderança de Sánchez está debilitada porque não vão dar-lhe outra oportunidade. Fez uma coisa muito boa. A 21 de dezembro parecia morto mas deu a volta. Apresentou-se a presidente do governo com o pior resultado. Mas chega.

Rivera pode dar uma surpresa?

Passou de zero deputados a 40, fantástico. Vai ser a chave e penso que para centro-direita. Mas as expectativas foram tão boas que os resultados pareceram um fracasso.

O 27-J vai ser semelhante ao 21-D?

Não, espero um governo a curto prazo. Se os resultados forem os mesmos o PSOE vai explodir e o PP formaria governo.

Que preço vai pagar Espanha por esta paragem?

Uma paragem na recuperação e a nível internacional. Foram canceladas muitas visitas de Estado.

Madrid

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