O iraquiano que derrubou a estátua de Saddam Hussein daria tudo para tê-lo de volta

Kadhim Sharif al-Jabouri arrepende-se. "O Saddam matava pessoas mas não tanto como este governo"

Kadhim Sharif al-Jabouri foi um dos muitos homens que, em abril de 2003, na praça Firdos, em Bagdade, derrubou a estátua de Saddam Hussein.

A sua imagem com uma marreta na mão circulou pelo mundo e a queda da estátua tornou-se um símbolo dos novos tempos que o país atravessaria e da invasão norte-americana. Mais de 13 anos depois, Kadhim daria tudo para ter o ditador de volta.

Kadhim era mecânico e chegou a consertar alguns veículos da família do presidente Hussein, mas foi preso durante o regime. O homem iraquiano conta que 14 dos 15 membros da sua família foram assassinados sob o comando de Saddam Hussein e, por isso, quando os americanos chegaram ao país para derrubar Saddam ele ficou muito contente.

A queda da estátua era um sinal de esperança na altura e Kadhim quis ajudar a derrubar a imagem do opressor. Nada fazia prever que daí em diante tudo seria pior.

"Agora, quando passo pela estátua, sinto dor e vergonha. Pergunto-me: porque deitei a estátua abaixo?", afirmou Kadhim, segundo o Washington Post. "Gostaria de voltar a pô-la no lugar, reconstruí-la, mas tenho medo de ser morto".

O iraquiano não tem dúvidas quando diz que a culpa de tudo o que aconteceu no país é do governo iraquiano, formado pelos Estados Unidos após a retirada forçada de Saddam, e dos governantes da potência norte-americana.

Depois da entrada das tropas americanas no Iraque, a situação foi piorando e piorando. "Havia corrupção, disputas internas, assassinatos e roubos". "O Saddam matava pessoas mas não tanto como este governo", contou Kadhim, que relembra com saudades a paz em que o país vivia antes de 2003.

O Saddam desapareceu e no seu lugar apareceram mil Saddams

"Bush e Blair são mentirosos. Eles destruíram o Iraque, mandaram-nos de volta à estaca zero, de volta à Idade Média", diz Kadhim, revoltado. "Se eu fosse um criminoso, iria matá-los com as minhas próprias mãos".

Kadhim já não vive em Bagdade. Tal como milhões de refugiados, fugiu da capital iraquiana para Beirut, no Líbano. Bagdade deixou de ser segura a todos os níveis, especialmente depois do aparecimento do Estado Islâmico, que só este ano já realizou oito atentados terroristas no Iraque.

O último atentado do grupo extremista em Bagdade foi este domingo e provocou mais de 200 mortos, tornando-se no ataque mais mortífero com bombas desde a invasão pelos Estados Unidos, em 2003.

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