Trump anuncia o "mais alto grau de sanções económicas" a Teerão

Presidente defendeu a necessidade de um novo acordo sobre o nuclear iraniano. E criticou a anterior administração

O acordo sobre o nuclear iraniano é uma "ficção gigantesca" e o seu resultado podia ter sido "bem diferente", considerou o presidente Donald Trump ao anunciar a decisão dos Estados Unidos de se retirar do tratado assinado em 2015. "Anuncio hoje que os EUA abandonam o acordo sobre o nuclear do Irão", disse Trump, que falava na Sala Diplomática na Casa Branca.

O presidente americano traçou um quadro dramático de uma situação em que considerou que Teerão estaria a utilizar o acordo em proveito da sua estratégia regional e na prossecução do seu programa nuclear. "O Irão nunca deve adquirir a arma atómica", defendeu Trump ao anunciar a desvinculação do acordo.

"O regime iraniano é o principal apoiante do terrorismo no Médio Oriente", afirmou o presidente. Por isso, serão também repostas sanções dos EUA que vigoravam até à realização do acordo em 2015. E "será imposto o mais alto grau de sanções económicas"

"Nenhuma ação do regime [de Teerão] é mais perigosa do que a prossecução do seu programa nuclear", este programa é "pior ameaça para a sobrevivência do regime", defendeu Trump. Para o presidente "é claro que não é possível impedir o Irão de se dotar da bomba atómica com a estrutura porosa e falida do atual acordo". Trump martelou a ideia de que "se não fizermos nada, sabemos bem o que vai acontecer" - "o acordo sofre de um defeito central na sua elaboração" e não serve para "proteger os EUA e seus aliados da loucura" iraniana.

Este é o pior acordo que alguma vez vi ser feito

Trump classificou como "mentiras" os compromissos do Irão no quadro do acordo e defendeu a necessidade de um novo acordo "benéfico" para o Irão e para o mundo. E insistiu numa ideia que tem repetido desde os tempos da campanha: "este é o pior acordo que alguma vez vi ser feito" e criticou a anterior administração por ter cedido perante Teerão quando os EUA estavam em posição de "exercer a pressão máxima" sobre o regime iraniano.

Após uma intervenção de menos de dez minutos, Trump assinou um decreto presidencial a desvincular os EUA do acordo, que foi assinado a 14 de julho de 2015, em Viena, entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), mais a Alemanha e o Irão. Nele se consagrava o fim progressivo e condicional das sanções internacionais em troca da promessa de Teerão não desenvolver armas nucleares. Entrou em vigor em janeiro de 2016. Trump anunciara segunda-feira no Twitter que tornaria pública esta tarde a sua decisão.

O documento assinado em Viena demorou quase dois anos a ser negociado e no mais recente relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), divulgado em fevereiro, era indicado que o Irão estava a respeitar os compromissos assumidos no quadro do acordo. Mais recentemente, após Israel ter denunciado a existência de um programa nuclear paralelo e secreto do Irão, a AIEA garantiu não ter encontrado qualquer indício nesse sentido.

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Durante a tarde foram-se multiplicando as notícias que davam como adquirido que os EUA iriam deixar o acordo. O The New York Times (NYT) citava fonte diplomática para escrever que, numa conversa telefónica sucedida entre o presidente americano e o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, Trump dissera que não só os EUA iriam deixar o acordo, como seriam restabelecidas todas as sanções e impostas novas. A Casa Branca recusou comentar a notícia avançada pelo NYT. Por seu lado, o Eliseu desmentiu a notícia do jornal, indicando que "o presidente Trump não comunicou a sua decisão ao presidente Macron". Este teve ainda uma conferência telefónica com a primeira-ministra britânica, Theresa May, e com a chanceler Angela Merkel.

A denúncia dos EUA do acordo de Viena, na opinião de vários analistas, pode originar uma escalada de tensões no Médio Oriente e ter repercussões no preço do petróleo. Ao início do dia, a cotação do petróleo estava em queda, mas após a notícia do NYT, voltaram a subir. O Irão é um importante produtor petrolífero e o regresso das sanções americanas tornará mais difícil a Teerão a sua venda. O Irão é atualmente o sexto maior produtor mundial e o terceiro maior da OPEP, com uma produção de 3,8 milhões de barris por dia.

Do lado iraniano, alguns dirigentes tornaram claro que o seu país não aceitaria quaisquer novas restrições além das estabelecidas no acordo de 2015. Sob anonimato, um alto responsável declarara à Reuters estar ao corrente de que "os europeus tentam persuadir Trump a não deixar o acordo [sugerindo novas condições] mas o Irão nunca aceitará qualquer exigência que não esteja já estabelecida". Um outro alto dirigente, o presidente do Parlamento, Ali Larijani (que no passado esteve envolvido nas negociações sobre o nuclear do seu país) acusou os EUA de "não cumprirem os seus compromissos. Só se pode falar com os americanos com a linguagem da força. Não há outra solução".

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