O guru da tecnologia McAfee quer candidatar-se à Casa Branca a partir de Havana

Procurado por não pagar IRS, John McAfee quer ser o candidato pelo Partido Libertário às presidenciais dos EUA e ajudar Cuba a contornar o embargo através do uso de criptomoeda.

Depois de fazer fortuna em software antivírus, fugido de Belize após um caso de homicídio, casado com uma prostituta, e reconhecer a paternidade a 47 crianças, o milionário norte-americano e guru da tecnologia John McAfee está a escrever um novo capítulo da sua vida colorida: a partir do seu iate ancorado em Havana quer concorrer à Casa Branca.

McAfee quer ser investido pelo Partido Libertário, que defende o livre comércio e um Estado reduzido ao mínimo. Em 2016, concorreu pela primeira vez, tendo ficado em terceiro. O escolhido foi Gary Johnson, que obteve 3,28% dos votos na eleição em que Hillary Clinton recebeu 48,18% e Donald Trump 46,09% de votos diretos (mas este último obteve o maior número de votos do colégio eleitoral).

"Eu não estou a realizar uma campanha normal, sou procurado como um criminoso pelo governo pelo qual estou a concorrer para presidente. Bem, é incomum", admite em declarações à imprensa a bordo do seu iate The great mistery (o grande mistério), rodeado pela mulher, Janice, por uma equipa de sete pessoas, dois seguranças, e quatro cães de grande porte.

McAfee diz que não pagou impostos sobre os rendimentos durante oito anos por razões ideológicas e que foi indiciado por evasão fiscal. "Eu não quero ser presidente, eu realmente não quero, e não podia: realmente, olhe para mim, não posso ser presidente", diz. "No entanto, eu tenho uma grande audiência e vou influenciar estas eleições", aludindo ao facto de ter quase um milhão de seguidores no Twitter e cerca de 2000 novos todos os dias.

Criptomoeda contra o embargo

McAfee instalou-se na marina Hemingway, no porto de Havana, chegado há umas semanas das Bahamas com receio de as autoridades o extraditassem para os EUA. Um libertário em Cuba e que se diz solidário com o seu povo. "Sou provavelmente o melhor amigo que Cuba tem agora. Não sei nada sobre o comunismo mas sei que não devemos interferir nos assuntos de Cuba, não devemos aplicar um embargo contra este país", defende.

E a resposta está na criptomoeda, negócio no qual John McAfee apostou com a empresa McAfee Crypto Team. "Seria fácil contornar o embargo do governo dos EUA através do uso de um sistema monetário inteligente", disse. "Eu fiz uma oferta formal para ajudá-los de graça [ao governo cubano] através de um canal privado através do Twitter", revelou.

"Não se pode simplesmente criar uma moeda e esperar que ela voe. É preciso baseá-la na cadeia de bloqueio (blockchain) adequada, estruturá-la de modo a responder às necessidades específicas de um país ou situação económica", disse McAfee.
"Provavelmente há menos de 10 pessoas no mundo que sabem como fazer isso e eu certamente sou uma delas", garantiu. Havana não respondeu, pelo menos até agora, mas o governo disse no início da semana que está em estudo o uso de criptomoeda para aliviar a crise económica agravada por novas sanções impostas por Donald Trump.

Excêntrico e suspeito

John McAfee, de 73 anos, começou sua carreira na NASA antes de trabalhar em várias empresas de TI, onde descobriu a existência de um vírus que teria dificuldade em destruir. Fundou em 1987 a empresa com o nome do seu apelido, que se tornou num gigante do software antivírus. Anos mais tarde, McAfee vendeu a empresa à Intel, tendo lucrado milhões de dólares.

Um estranho capítulo da sua vida foi vivido quando se estabeleceu no Belize. Em 2012, foi investigado pela suspeita de envolvimento no homicídio do vizinho. A polícia encontrou várias armas em sua casa. Um crime ainda não resolvido até hoje e que o levou a fugir para a Guatemala, onde foi preso por entrada ilegal, tendo sido deportado para os EUA.

Em 2013, publicou um excêntrico vídeo onde explica como desinstalar o software da McAfee, cercado de mulheres que o vão despindo. Armas e drogas fazem também parte do vídeo.

Em 2015, foi preso nos Estados Unidos por conduzir sob o efeito de drogas. Ficou então fora do radar mediático até janeiro de 2019, quando fugiu do seu país. Agora diz que o querem pôr na cadeia e tirar-lhe a palavra. "Não o vou permitir porque tenho muito a dizer", desafiou.

Exclusivos