O fotógrafo que largou a máquina para ajudar crianças em Aleppo

Abd Alkader Habak não conseguiu conter as lágrimas perante atentado que matou mais de 60 crianças na Síria

As imagens de um fotógrafo a correr com uma criança síria nos braços, e depois a chorar ao lado do corpo de uma criança, são o mais recente símbolo do horror na guerra da Síria.

Abd Alkader Habak, fotógrafo e ativista sírio, estava em Aleppo quando um bombista suicida fez explodir uma camioneta junto aos 75 autocarros que retiravam civis e combatentes da cidade. Habak foi atingido pela explosão, como contou à CNN, e quando recuperou a consciência decidiu ajudar os feridos. A primeira criança que Habak tentou ajudar estava morta. O atentando matou pelo menos 126 pessoas e 68 delas eram crianças, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

"A cena foi horrível, especialmente ver crianças a chorar e morrer à minha frente", contou o fotógrafo. "Então decidi, junto com os meus colegas, que iríamos pousar as máquinas e começar a resgatar os feridos".

O fotógrafo correu depois para ajudar outro rapaz. Apesar de todos dizerem que ele já estava morto e que não valia a pena, Habak via que o rapaz fazia esforços para respirar, então pegou-o ao colo e levou-o para uma ambulância. "Esta criança estava a agarrar a minha mão com força e a olhar para mim", contou Habak.

Foi esse momento que outro fotógrafo, Muhammad Alrageb, captou. Alrageb também ajudou alguns feridos no local mas depois decidiu voltar a documentar o acontecimento. "Eu queria filmar tudo para garantir que alguém seria responsabilizado", contou Alrageb.

"Senti-me orgulhoso por estar lá um jornalista mais novo a salvar vidas", continuou Alrageb.

Habak conta que o menino que ajudou tinha 6 ou 7 anos. O fotógrafo não sabe se a criança sobreviveu: depois de a deixar na ambulância, voltou para ajudar outros. Voltou a encontrar outra criança morta e, nesse momento, caiu a chorar. O momento foi documentado, desta vez por outro fotógrafo.

A imagem mostra Habak de joelhos e com a máquina fotográfica ainda na mão, ao lado do corpo de uma criança.

"Fui dominado pela emoção", contou Habak. "O que eu e os meus colegas vimos é indescritível".

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