O alegado apalpar de coxa de Boris que marca congresso conservador

Atual primeiro-ministro britânico nega a acusação feita por uma jornalista, num artigo publicado este domingo no 'Sunday Times', que remonta a um almoço de há 20 anos.

Estávamos em 1999 e Boris Johnson era então o diretor da Spectator. Durante um almoço privado, nos escritórios da revista, a jornalista Charlotte Edwardes está sentada ao seu lado direito. "Mais vinho é vertido [nos copos], mais vinho é bebido. Sob a mesa, sinto a mão de Johnson na minha coxa. Ele apalpa-a. A mão dele está tão acima na minha perna e ele tem suficiente carne sob os seus dedos para me fazer sentar de repente direita". No final do almoço, Edwardes confidenciou noutra mulher que tinha estado no almoço, sentada ao lado esquerdo do atual primeiro-ministro. "Oh meu Deus, ele fez-me exatamente a mesma coisa."

Este foi o relato dos alegados acontecimentos de há 20 anos feito pela própria jornalista no The Sunday Times. O gabinete de Boris Johnson já negou as acusações, considerando-as de "falsas". Edwardes respondeu: "Se o primeiro-ministro não se lembra do incidente, então eu claramente tenho melhor memória do que ele", escreveu no Twitter.

Questionado já esta manhã pela BBC, em Manchester, sobre se tinha tocado na coxa de uma mulher se o seu consentimento, Boris respondeu "não" e disse que o que o público quer ouvir é sobre os planos do governo para o futuro, acabando a falar de autocarros e de banda larga.

A denúncia pública foi feita no dia da abertura do congresso conservador, que começou este domingo em Manchester em plena crise por causa do Brexit -- Boris Johnson insiste em sair a 31 de outubro. Além da pressão sobre o Brexit, os membros do governo têm também sido confrontados pelos jornalistas para reagirem às acusações.

Segundo a jornalista da BBC Laura Kuenssberg, circulam também rumores sobre quem será a outra mulher de que Edwardes fala, tendo já levado Mary Wakefield (que por acaso é mulher de Dominic Cummings, braço direito de Boris Johnson) a negar ser ela. "Não sou a mulher mencionada na coluna de Charlotte Edwardes. Boris foi um bom patrão e nada do género alguma vez me aconteceu. Nem a Charlotte, que gosto e admiro, alguma vez discutiu este incidente comigo".

O ministro da Saúde, Matt Hancock, começou por dizer que era um tema privado e que os conservadores "deviam concentrar-se em fazer aquilo pela qual estão na política, que é servir os cidadãos do país", para mais tarde, numa entrevista ao Channel 4, dizer que não estava a "descartar" nada. "Conheço a Charlotte bem e confio no que ela tem a dizer. Conheço-a e sei que é digna de confiança", acrescentou.

A ex-ministra do Interior, Amber Rudd, que entretanto deixou o Partido Conservador, concordou com as conclusões de Hancock em relação à jornalista. Outra ex-ministra, mas da Educação, Justine Greening, agora deputada independente, disse que as acusações levantam "uma questão sobre o caráter e a integridade" do primeiro-ministro.

Já o ministro das Finanças, Sajid Javid, recusou comentar "alegações pessoais" contra o primeiro-ministro, quando questionado sobre o tema numa entrevista à BBC. "O primeiro-ministro disse que é completamente falso", acrescentou. "Tenho confiança total no primeiro-ministro e não duvido do que ele diz por um segundo", indicou. Sajiv disse ainda que Boris Johnson não tem um "problemas com mulheres".

Mas este não parece ser o único problema de Johnson a envolver mulheres. O primeiro-ministro também é acusado de beneficiar a empresária norte-americana Jennifer Arcuri, só por ela ser sua amiga. As acusações remontam ao tempo em que era presidente da câmara de Londres e as autoridades estão a ver se o investigam ou não por "má conduta em cargo público".

A história também foi divulgada pelo The Sunday Times. Segundo o jornal, Arcuri (que disse a quatro amigos que tinha tido um caso com Johnson quando ele era mayor) participou nas viagens empresariais organizadas por Johnson e a sua empresa recebeu milhares de libras em apoios públicos. Numa entrevista no fim de semana, o primeiro-ministro negou ter feito algo de mal.

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