Novo 'tweet' de Trump: media são "o inimigo do povo"

Conflitualidade com a imprensa é cada vez mais elevada. Aprovação do presidente é alta entre republicanos, mínima entre democratas.

Donald Trump identificou um novo inimigo dos americanos: alguns dos principais meios de comunicação social, escrita ou televisiva. Bastante crítico em relação aos media ao longo da campanha e após a tomada de posse, o presidente deu, numa uma mensagem publicada no Twitter, um passo adiante ao designar o chamado quarto poder como inimigo do "povo americano".

No texto, e com o habitual recurso a palavras em capitulares, Trump proclama que "Os media de NOTÍCIAS FALSAS (o decadente @nytimes, @NBCNews, @ABC, @CBS, @CNN) não são o meu inimigo, são o inimigo do povo americano". A mensagem foi colocada na sexta-feira à noite (madrugada na hora portuguesa) pouco depois de ter chegado a Mar-a-Lago, na Florida, para um fim de semana em que terá contactos para designar um novo conselheiro de segurança nacional, após a demissão de Michael Flynn. Estava prevista a sua presença num comício. Este é o terceiro fim de semana consecutivo em que Trump se desloca a Mar-a-Lago.

Na sua primeira conferência de imprensa, na passada quinta-feira, o presidente declarara que a "maioria dos media em Washington - em juntamente com os de Nova Iorque e de Los Angeles em particular - não falam pelo povo mas por interesses específicos e por aqueles que tiram proveito de um sistema obviamente falido". Realidade que tornava necessário, em sua opinião, falar disso porque "honestamente, a imprensa está em roda livre. O nível de desonestidade está em roda livre".

O nível de conflitualidade entre o presidente e boa parte dos órgãos de comunicação social foi evidente na quinta-feira, quando Trump criticou um jornalista que lhe fez uma pergunta sobre antissemitismo, ou quando sugeriu a uma jornalista negra se era porta-voz dos caucus dos afro-americanos do Congresso, a que pertence só um republicano.

A reação foi imediata, com alguns jornalistas a lembrar que "esta é uma frase típica de um ditador". Carl Bernstein, um dos jornalistas que divulgou o caso Watergate, recorreu ao Twitter para responder: "O mais perigoso inimigo do povo são as mentiras de um presidente (...). Ataques de Trump à imprensa são ainda mais pérfidos do que os de Nixon", que acabou por abandonar a presidência devido ao Watergate.

A mensagem de Trump não parece resultar apenas de uma iniciativa do presidente. O partido republicano colocou na quinta-feira à noite no seu site um questionário sobre "responsabilidade dos media" em que se pergunta "se são injustas" as notícias sobre o presidente e o partido, sugerindo-se, por outro lado, a existência de "preconceitos" sobre temas como o terrorismo islâmico e a imigração ilegal e que "não são confirmados os factos antes da publicação de notícias sobre a administração Trump".

Um estudo do centro Pew, divulgado na quinta-feira, revela até que ponto a sociedade americana está polarizada. Trump recolhe ampla aprovação no eleitorado republicano (84%), mas escassíssimo entre os democratas (apenas 8%). Quando é perguntado se aprovam ou criticam inequivocamente a atuação de Trump, o número de respostas é esclarecedor: 29% aprova sem reservas e 46% desaprova fortemente.

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