Novo primeiro-ministro austríaco reafirma perante Tusk compromisso com UE

Sebastian Kurz vai liderar governo em coligação com um partido de extrema-direita austríaco

O novo chanceler austríaco, Sebastian Kurz, que governará em coligação com o Partido Liberal da Áustria, de extrema-direita, reafirmou esta terça-feira o seu compromisso com a União Europeia, no primeiro encontro com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

"Bom encontro com Donald Tusk. Reafirmei-lhe a posição pró-europeia do Governo austríaco e o seu total empenho no futuro desenvolvimento da UE", escreveu na sua conta da rede social Twitter o jovem político austríaco, após a reunião com o responsável do bloco comunitário.

Kurz, que tem prevista ainda hoje uma reunião tardia com o líder do executivo europeu, Jean-Claude Juncker, referiu igualmente, na mensagem do Twitter, o seu entusiasmo em relação aos trabalhos preparatórios da presidência rotativa austríaca da UE, no segundo semestre de 2018.

A capital comunitária foi o primeiro destino estrangeiro de Kurz como primeiro-ministro, depois de ter tomado posse na segunda-feira, juntamente com os restantes membros do novo executivo.

Tusk já tinha felicitado por carta o novo chanceler austríaco, após a sua nomeação, instando-o a "continuar a desempenhar um papel construtivo e pró-europeu na UE" com vista à presidência rotativa dos Vinte e Oito, que a Áustria assumirá em julho próximo.

"Isto é especialmente importante num momento em que o Conselho Europeu está a envolver-se de forma mais direta em assuntos politicamente sensíveis no contexto da agenda dos líderes", escreveu Tusk na missiva.

Tal agenda pretende ser um roteiro para guiar a ação europeia dos próximos dois anos e, no seu âmbito, os líderes dos Estados membros debateram na cimeira europeia de dezembro assuntos como a reforma da União Monetária e a imigração.

O debate sobre as quotas obrigatórias de acolhimento de requerentes de asilo e refugiados adquiriu maior protagonismo durante a cimeira depois de Tusk ter classificado o sistema como "ineficaz", declarações que o comissário europeu da Imigração, Dimitris Avramopoulos, considerou "antieuropeias".

O ex-chanceler austríaco Christian Kern, que participou nas passadas quinta e sexta-feira na cimeira europeia, foi um dos mais críticos em relação às palavras de Tusk e rejeitou categoricamente que a relocalização de refugiados de acordo com quotas seja ineficaz e divida os parceiros.

No entanto, a coligação que Kurz liderará já deixou claro que considera "errado" o sistema de quotas obrigatórias e que trabalhará para o mudar, alinhando-se assim com a posição de países do leste como a Hungria e a Polónia, que a Comissão Europeia reencaminhou para a Justiça europeia, devido a esta questão.

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