Nove anos depois, deputados gregos aceitam cumprir lei anti tabagismo

Nove anos, 10 meses e 26 dias depois de a lei ter entrado em vigor, os deputados são finalmente obrigados a cumpri-la. Kyriakos Mitsokatis exige que, a partir de agora, os deputados liderem dando o exemplo.

Uma das promessas de campanha do novo Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, foi a de reforçar as leis anti-tabagismo já em vigor no país.

A primeira legislação da Grécia sobre o controle do tabagismo entrou em vigor no dia 1 de julho de 2009, mas a lei, apenas esporadica e superficialmente aplicada, nunca foi eficaz. Foram colocadas placas em todos os espaços públicos fechados, mas a realidade é que os gregos continuaram a fumar, nomeadamente em bares, cafés e restaurantes, como se a lei nunca tivesse entrado em vigor.

De resto, no próprio edifício do Parlamento de Atenas há um café sobre o qual é habitual ver-se uma névoa de fumo. Trata-se do café a poucos metros da câmara legislativa, de 300 lugares, onde os deputados votaram a lei que proíbe fumar em espaços públicos.

Nove anos, 10 meses e 26 dias depois de George Papandreou, ex primeiro-ministro, ter procurado implementar a lei anti-tabagismo, e menos de um mês depois de assumir o poder, Kyriakos Mitsotakis está determinado a fazer o que nenhuma outra administração foi capaz de fazer: a partir desta segunda-feira, os próprios legisladores são finalmente obrigados a obedecer à lei.

"A aplicação das leis é uma questão que se aplica a todos nós", disse o primeiro-ministro aos alunos que visitaram a sua residência oficial na semana passada, transmitindo a mensagem de que, a partir de agora, os deputados deverão passar a liderar dando o exemplo.

"Houve definitivamente uma mudança", disse Dimitris Tarantsas, que tem servido os deputados atrás do balcão do café ao longo dos últimos 18 anos. "A lei, pela primeira vez, está a ser cumprida". Os cinzeiros de metal do único sítio onde é permitido fumar - um pátio fora do café - vão ser deitados para o lixo, tornando-se o edifício oficialmente uma zona livre de fumo, contou.

O governo Syriza de Alexis Tsipras nunca se atreveu a tocar no assunto. Veja-se o exemplo de Pavlos Polakis, ex ministro da Saúde, que foi visto a fumar numa conferência pública.

Na Grécia, com 27% da população a fumar ativamente, poucas medidas foram tão controversas ou ilustraram tão bem o anti-autoritarismo inato aos gregos.

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