Novas negociações de paz para a Síria começam segunda-feira

Anterior ronda de negociações, em fevereiro, foi interrompida devido a uma intensificação dos ataques aéreos na Síria pela Rússia

Uma nova ronda de negociações para pôr fim ao conflito na Síria decorrerá em Genebra entre 14 e 24 de março, sob a égide da ONU, anunciou hoje o enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura.

"As delegações chegam nos próximos dias e as negociações de fundo começarão na segunda-feira (14 de março) e não durarão além de 24 de março", declarou o responsável em conferência de imprensa. "Haverá uma pausa de entre uma semana e dez dias e [as negociações] serão, em seguida, retomadas", acrescentou.

O enviado especial da ONU indicou que as conversações se vão realizar em salas separadas com os representantes do regime de Damasco e os representantes da oposição. "A tónica será colocada na formação de um novo Governo, a redação de uma nova Constituição e a realização de eleições legislativas e presidenciais num prazo de 18 meses", explicou De Mistura, sublinhando que "uma transição política é a solução" para pôr fim a cinco anos de guerra na Síria, que fizeram mais de 270.000 mortos e obrigaram milhões de pessoas a abandonar as suas casas.

Uma anterior ronda de negociações realizada em Genebra, em fevereiro, foi interrompida devido a uma intensificação dos ataques aéreos na Síria pela Rússia, aliada de Damasco.

Desde então, um acordo de cessar-fogo foi negociado por Washington e Moscovo e a trégua instaurada a 27 de fevereiro parece manter-se, apesar de alguns incidentes.

O regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, já anunciou que enviará uma delegação a Genebra, mas a oposição ainda não tomou uma decisão.

O coordenador-geral do Alto-Comissariado das Negociações (HCN, que reúne grupos importantes da oposição e dos rebeldes sírios), Riad Hijab, declarou que o HCN vai já enviar uma pequena delegação para Genebra para se reunir com o grupo de trabalho que supervisiona o cumprimento do cessar-fogo.

Uma reunião deste grupo de trabalho, copresidido pelos norte-americanos e pelos russos, está marcada para quarta-feira à tarde em Genebra.

Um outro grupo de trabalho sobre a ajuda humanitária, criado por Moscovo e Washington para organizar, com a ONU, a distribuição da ajuda nas cidades sitiadas da Síria, reuniu-se hoje de manhã, antes da conferência de imprensa.

Staffan de Mistura anunciou que num período de quatro semanas, a ONU e os seus parceiros conseguiram levar ajuda a 238.845 pessoas que vivem em zonas sitiadas ou de difícil acesso na Síria. "É um bom resultado. No ano passado, foi zero", recordou. O seu conselheiro especial, o norueguês Jan Egeland, precisou que se conseguiu chegar a dez das 18 zonas cercadas.

"A má notícia é que ainda não conseguimos chegar a seis grandes regiões situadas, entre as quais Daraya e Duma", nem a Deir Ezzor, no leste do país, onde cerca de 200.000 pessoas se encontram retidas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

O coordenador das questões humanitárias da ONU na Síria, Yacub el-Hillo, anunciou que até ao fim de abril, a ONU estabeleceu como objetivo entregar ajuda às 870.000 pessoas que se encontram nas regiões de difícil acesso da Síria.

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