Nova moda no Quénia: alunos incendeiam as escolas, mas ninguém sabe porquê

Autoridades estão a tentar perceber porque os alunos estão a pegar fogo às próprias escolas pelo país inteiro

Nos últimos meses, mais de 100 escolas secundárias foram incendiadas no Quénia. Algumas tiveram de ser encerradas, deixando milhares de alunos sem aulas. Os alunos são responsabilizados pela maioria dos fogos, mas ainda ninguém percebeu o que está a motivar esta onda de vandalismo no país.

De acordo com um relatório da polícia a que a agência AFP teve acesso, segundo o jornal Times Live, há um padrão nestes incêndios - geralmente só afetam os dormitórios e os pertences dos alunos e da escola e "parecem estar bem coordenados pois até agora nenhum aluno ficou ferido, o que significa que escapam antes".

Até ao momento, já foram detidos 150 alunos, mas isto não travou a vaga de fogo posto. Esta quinta-feira foram incendiadas mais quatro escolas, segundo o mesmo jornal.

A questão tem gerado um grande debate nacional. As principais razões apontadas nas redes sociais e programas de rádio para os incêndios variam entre frustrações pela reforma no sistema de ensino, abuso de drogas, a falta de controlo por parte dos professores e a impunidade dos jovens.

O ministro da educação, Fred Matiang'i, defende esta última hipótese e acredita que a culpa é dos pais, que estão a criar jovens indisciplinados com comportamentos perigosos e antissociais.

O ministro afirmou este mês, segundo a BBC, que deveriam ser os pais a pagar pelos danos causados pelos incêndios.

Os incêndios começaram numa altura em que o país está a implementar uma reforma no sistema de educação que trouxe várias mudanças, nem todas bem recebidas. O governo propôs, entre outros, o aumento da carga curricular e a diminuição das férias escolares em duas semanas.

Na luta pelo ministério da educação para impedir que os alunos copiem nos exames nacionais, o governo implementou medidas impopulares como diminuir o período dos exames, colocar os diretores de cada escola responsáveis por vigiar as provas e banir as atividades extracurriculares, segundo o jornal local Daily Nation. No ano passado, os exames nacionais de mais de cinco mil alunos tiveram de ser anulados pois as respostas estavam a ser vendidas pela internet.

Alguns pais acusam as escolas de não terem controlo sobre os alunos e pedem que castigos corporais, como os açoites, voltem a ser aplicados no país, 15 anos depois de terem sido banidos.

Akello Misori, do Sindicato de Professores do Quénia, afirmou num programa de rádio, segundo a BBC, que é possível que as motivações também sejam políticas. "Os alunos vêm das aldeias e trazem as questões locais para a escola. Por isso, há estudantes que às vezes propagam os interesses políticos das suas aldeias", afirmou Akello.

Alguns alunos que admitiram ter incendiado a sua escola, confessaram à BBC que o fizeram porque estavam sob demasiado stress e queriam ter férias. Os jovens, que não se quiseram identificar, disseram que falaram com outros alunos que fizeram o mesmo e decidiram imitar.

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