Nova líder do UKIP obrigada a manter sucesso de eurocéticos

Diane James foi escolhida por 47% dos 40 mil militantes do partido eurocético. Prometeu que iria concretizar a saída da UE

"Podemos estar muito orgulhosos de termos ganho a guerra, mas agora temos de ganhar a paz", proclamou Nigel Farage, o dirigente cessante do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP, sigla em inglês) na conferência nacional em que foi eleita a nova líder, Diane James, até agora a sua fiel seguidora e um dos vice-presidentes do partido.

A "guerra" e a "paz" que Farage referiu foram, respetivamente, o referendo à saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e as negociações para a sua concretização, cujo início não foi ainda desencadeado pelo governo de Theresa May.

A receção e os aplausos entusiásticos de que Farage - líder do partido desde 2006 até ontem, com um hiato de um ano entre agosto de 2009 e agosto de 2010 - foi alvo em Bournemouth (no sul) vieram colocar em segundo plano as negociações para a concretização do brexit, concentrando-se os comentários sobre o percurso futuro do UKIP. De facto, embora tenha surgido em 1993, contando-se Farage entre os fundadores (depois de abandonar os conservadores no ano anterior), é só com a liderança daquele que o partido ganha dimensão e se impõe na cena política do Reino Unido e se torna o protagonista da corrente eurocética.

Ainda que penalizado pelo sistema eleitoral, o UKIP torna-se um dos principais partidos e, nas mais recentes eleições europeias, em 2014, elegeu 22 dos 73 eurodeputados britânicas. Nas eleições locais do ano anterior tivera 22% dos votos, ultrapassando os liberais-democratas. Nas legislativas de 2015, apesar de quatro milhões de votos, só elegeu um deputado.

Sinónimo do partido

Em síntese, numa década, Farage transformou uma formação política periférica num partido que liderou a campanha do referendo em conjunto com personalidades relevantes entre os conservadores, como o ex-mayor de Londres, Boris Johnson (hoje ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May), pondo fim a quase meio século do Reino Unido na UE. Por tudo isto, tendo-se o nome de Farage tornado sinónimo do UKIP e do seu sucesso, Diane James está obrigada a garantir a sobrevivência do partido, pelo menos, no mesmo patamar em que o líder cessante o deixou.

No discurso de despedida, Farage definiu desde logo uma meta para James, a de que force uma negociação "dura" para que sejam cumpridas todas as expectativas dos eleitores que votaram pela saída da UE. "A única forma para pressionar o governo para este garantir que os 17,4 milhões [que votaram a favor do brexit ] obtenham aquilo que desejavam é manter o UKIP forte e ativo", disse Farage.

A nova líder do partido, eleita com 47% dos votos dos 40 mil militantes do UKIP, vencendo outros quatro candidatos, declarou que "somos o movimento da mudança política no Reino Unido" e assegurou aos congressistas em Bournemouth que tudo seria feito para se concretizar o resultado do referendo de junho.

Até agora eurodeputada e antiga analista no setor empresarial da saúde, James sublinhou que as grandes reivindicações do UKIP - reforço dos controlos da imigração e maior liberdade de comércio - serão defendidas de "forma implacável". James prometeu ainda "um novo estilo de liderança".

Figura responsável

Militante conservadora até 2007, James, de 56 anos, desempenhou importantes funções no partido, além da vice-presidência, sendo nomeadamente a porta-voz para as questões de Justiça e de Administração Interna.

James é considerada uma personalidade responsável e discreta, longe do comportamento algo excessivo e histriónico de Farage, tendo consolidado a ascensão no UKIP a partir de 2013, quando quase derrotou o candidato liberal-democrata numas eleições intercalares no seu círculo, deixando em terceiro lugar o representante dos conservadores. No ano seguinte, obteve um excelente resultado nas europeias.

A nova líder do UKIP é fluente em francês e alemão.

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