Nova carta de Viganò contra o Papa: "Quem cala consente"

Arcebispo que há um mês acusou Francisco de saber, pelo menos desde 2013, dos abusos do cardeal McCarrick, nos EUA, volta a escrever carta

Carlo Maria Viganò voltou a atacar o Papa, numa nova carta em que reafirma que Francisco sabia dos casos de assédio sexual do então cardeal Theodore McCarrick, pelo menos desde 2013. Esta carta surge um mês depois da primeira, em que o arcebispo acusava Francisco e Bento XVI de saberem de tudo e nada terem feito.

Na nova missiva, o antigo núncio nos EUA acusa: "Nem o Papa, ou nenhum dos cardeais em Roma negou os factos que divulguei no meu testemunho. 'Qui tacet consentit' [Quem cala consente], de certeza que se aplica aqui".

Até ao momento, o Papa Francisco não desmentiu categoricamente as afirmações, mas apelou aos jornalistas para fazerem o seu trabalho e olharem para os factos.

Na carta que publicou online, Carlo Maria Viganò desafia o Vaticano a desmentir o seu testemunho e a apresentar provas. E apela a outros bispos para seguirem o seu exemplo. Especificamente desafia o cardeal Marc Ouellet que, por ser perfeito na congregação dos bispos, terá documentos que podem comprovar que o Papa saberia dos abusos. Pede-lhe que divulgue esses documentos, em que alegadamente Bento XVI pedia uma investigação e sanções ao cardeal McCarrick, em 2016, que depois não chegaram a avançar.

Os abusos sexuais do cardeal McCarrick foram revelados em junho, quando foi destituído do ministério, depois de uma acusação de um antigo acólito que disse que o cardeal o tinha violado há mais de 50 anos. A esta primeira acusação seguiram-se outras. O antigo arcebispo de Washington, entre 2001 e 2006, acabou por abdicar do seu lugar no Colégio dos Cardeais, em julho.

O verão não tem sido fácil para o Vaticano. Aos abusos levados a cabo pelo McCarrick, seguiu-se, em julho, um relatório do grande júri na Pensilvânia que apresentou provas de abusos levados a cabo por mais de 300 padres. A seguir veio a carta de Viganò, antigo núncio nos EUA.

Um mês depois, o antigo embaixador da Santa Sé parece decidido a não deixar cair as suas acusações no esquecimento. E voltou à carga com uma nova carta, a que decidiu dar o título: "Scio cui credidi" ("Sei em quem tenho acreditado"), uma frase do Novo Testamento.

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