Gantz diz que vai liderar "governo de unidade liberal" após proposta de Netanyahu

"Benny, temos que criar um governo de unidade nacional amplo", disse o primeiro-ministro israelita.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, propôs esta quinta-feira ao seu principal rival, o antigo general Benny Gantz, a criação de um governo de unidade nacional, depois de as segundas eleições em Israel este ano terem terminado sem um vencedor claro.

Numa resposta ao líder do Likud (direita), o responsável pela coligação Azul e Branca (centrista e liberal) disse que ele pretende formar e liderar "um governo de unidade alargado e liberal". Gantz explicou: "Depois de uma eleição que foi forçada, Israel votou e fez-se ouvir claramente. As pessoas votaram pela unidade e a coligação Azul e Branca ganhou as eleições. É o partido maior."

Com 97% dos votos contados, a coligação de Gantz consegue 33 deputados no Knesset (120 lugares), enquanto o Likud tem 31. O bloco de Netanyahu, que inclui a extrema-direita e os ultra-ortodoxos, consegue 55 lugares. Já o bloco de centro-esquerda tem 57.

"Para formar um governo de unidade, não podemos ir com blocos e rodeios políticos", disse Gantz. "Vamos com responsabilidade e seriedade. Pretendo agir dessa forma", acresscentou. O ex-general disse ainda que o seu partido trará "verdadeira mudança" e ajudará a "sarar" a sociedade israelita, lembrando que não aceitará ordens. "Esta negociação vai exigir paciência e a defesa dos nossos princípios. Não haverá atalhos", indicou.

Em resposta, o primeiro-ministro disse estar "surpreendido e desapontado" por Gantz recusar os apelos a uma reunião entre ambos. "Gantz, a minha oferta para um encontro mantem-se. É o que o público espera de nós", escreveu no Twitter.

O primeiro-ministro tinha sugerido um encontro com Gantz já hoje. A mudança de estratégia reflete a posição enfraquecida em que se encontra o primeiro-ministro, depois das eleições de terça-feira, que aconteceram depois de um primeiro escrutínio, em abril, não ter garantido uma maioria parlamentar.

"Durante a campanha eleitoral, pedi um governo de direita mas, para meu pesar, o resultado eleitoral mostra que isso é impossível", disse Netanyahu numa mensagem vídeo. "Benny, temos que criar um governo de unidade nacional amplo, tão cedo quanto possível. A nação espera que nós, que ambos, possamos demonstrar responsabilidade e busquemos a cooperação", acrescentou.

Mais tarde, numa cerimónia de homenagem ao ex-primeiro-ministro Shimon Peres, Netanyahu lembrou que o ex-governante de esquerda fez uma coligação com o conservador Yitzhak Shamir na qual houve uma rotatividade entre ambos no cargo entre 1984 e 1988.

"Quando não houve um vencedor claro no Knesset, Shimon optou pela unidade nacional. Ele e Yitzhak Shamir concordaram cooperar para levar Israel para porto seguro", disse Netanyahu no discurso, ao qual assistia Gantz. "Nesta eleição, também não existe um vencedor claro. E peço-te, Benny... Vamos trabalhar juntos outra vez e levar o Estado de Israel para porto seguro".

Netanyahu e Gantz apertaram a mão durante a cerimónia, sob o olhar do presidente Reuven Rivlin, que se congratulou com a proposta de governo de unidade nacional.

Na quarta-feira, Gantz disse esperar "um governo de unidade desejável e bom", mas descartou formar um com o Likud de Netanyahu. Em causa as acusações de corrupção contra o primeiro-ministro, que este continua a negar.

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