Neonazi abandona movimento e anuncia que é gay e descende de judeus

Kevin Wilshaw teve uma vida de ódio. Mas agora decidiu assumir-se

Foi uma vida de ódio. Durante 40 anos, Kevin Wilshaw esteve envolvido em movimentos da extrema-direita inglesa, participou em ações de vandalismo e agressões, mas agora decidiu virar as costas a tudo isso, confessar os seus erros e assumir-se como homossexual e descendente de judeus.

"É uma coisa egoísta de se dizer, mas é verdade: vi pessoas serem abusadas, insultadas, cuspidas. E só quando isso se dirige a ti é que te apercebes que o que estás a fazer está errado", afirmou no Channel 4 Kevin Wilshaw, que foi elemento do Partido Nacional Britânico nos anos 1980 e que até recentemente participou em ações de supremacistas brancos.

"Em uma ou duas ocasiões no passado recente, realmente fui a principal pessoa a odiar o grupo de pessoas a que quero pertencer. Se és gay, isso é aceitável na sociedade, mas não é aceitável para este grupo de pessoas e deparei-me com uma ou duas situações em que suspeitaram que eu era gay e fui alvo de abusos".

Admitindo a contradição que é ser gay e fazer parte de movimentos de extrema direita, Wilshaw admite ter ferido outras pessoas em ataques, mas sempre em autodefesa. Chegou a partir uma cadeira na cabeça de alguém, mas diz que nunca abordou minorias para as agredir.

Além de se assumir como gay, Wilshaw também fala da mãe judia. "Ela era em parte judia, o nome de solteira era Benjamin, temos sangue judeu desse lado", afirmou, explicando que quando se inscreveu no Partido Nacional Britânico escreveu sobre o ódio que tinha contra os judeus, encarando esse termo como algo que define uma comunidade e não uma pessoa em particular.

Nessa época, nos anos 1980, segundo conta, tinha poucos amigos na escola e queria sentir que fazia parte de alguma coisa e que tinha um objetivo. "Achei que envolver-me neste tipo de coisas seria camaradagem".

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