Nem de Emanuela Orlandi, nem das princesas. Ossos encontrados no Vaticano são mais antigos

Segundo o que foi averiguado pelas autoridades italianas, os achados ósseos remontam a um período entre 90 e 230 dC.

Continua o mistério em torno do desaparecimento de Emanuela Orlandi, depois dos especialistas forenses que analisaram as ossadas encontradas no cemitério do Colégio Pontífico do Vaticano, no passado dia 11 de julho, terem chegado à conclusão de que "nenhuma estrutura óssea remonta a um período posterior a 1800", de acordo com a Rai News, que cita o gabinete de imprensa do Vaticano.

Segundo o que foi averiguado pelas autoridades italianas, os achados ósseos remontam a um período entre 90 e 230 dC. "Isso nega qualquer conexão com o desaparecimento de Emanuela Orlandi ", diz a nota.

"Às 12.30 [deste domingo, 11.30, em Lisboa], as operações no Campo Santo Teutónico ficaram concluídas como parte da investigação ao caso Orlandi. O professor Giovanni Arcudi, assistido pela sua equipa - e na presença do perito nomeado pela família Orlandi - completou a análise morfológica dos ossários (...) e não encontrou qualquer estrutura óssea que remonte a um período posterior ao final de 1800 ", refere a nota da Secretaria de Imprensa do Vaticano.

A Santa Sé "confirma o seu desejo em encontrar a verdade na história do desaparecimento de Emanuela Orlandi e nega categoricamente que essa atitude de total cooperação e transparência possa de alguma forma significar, como algumas pessoas têm dito, uma admissão implícita de responsabilidade ", refere ainda o comunicado.

Em 1983, Emanuela Orlandi, de 15 anos, filha de um funcionário do Vaticano, nunca chegou a voltar para casa depois de uma aula de música em Roma e o caso é um dos mistérios mais longos de Itália.

O caso de Orlandi voltou a ganhar atenção recentemente após o surgimento de uma pista anónima sobre o local onde podia estar enterrado o corpo da rapariga. A pista indicava os "Túmulos do Anjo", onde se acreditava estarem enterradas as princesas alemãs Sophie von Hohenlohe, que morreu em 1836, e Carlota Federica de Mecklenburg, que morreu em 1840.

No entanto, os caixões estavam vazios - o que não só não resolveu o mistério de Emanuela como abriu novos mistérios. O Vaticano acredita que os ossos das princesas possam ter sido removidos durante os trabalhos realizados no local nos anos de 1960 e 1970.

O que aconteceu a Emanuela?

Nos primeiros tempos a seguir ao desaparecimento de Emanuela, muitas foram as chamadas feitas para os pais, com falsas pistas, tendo havido uma que chegou a ser levada a sério pela polícia e pelos juízes: uma voz de homem telefona e pede a intervenção de João Paulo II para trocar a entrega de Emanuela pela libertação do turco Ali Agca - que atentara contra a vida do Papa em 1981.

O caso Orlandi tem sido associado a conspirações entre bispos, padres e altos dirigentes da Cúria Romana, a agentes búlgaros, à máfia siciliana, ao KGB e até à CIA. Em 2008, surgiram suspeitas de que a rapariga teria sido sequestrada, assassinada e enterrada sob ordens do arcebispo Paul Marcinkus, o antigo presidente do banco do Vaticano. Embora o tenham defendido, a Igreja enviou-o para uma paróquia no Arizona, onde ficou até morrer (em 2006).

Numa entrevista de mais de duas horas, no programa "Chi l'ha visto?" ("Quem a viu"?), Sabina Minardi, amante de Enrico De Pedis, chefe da máfia siciliana morto em 1990, revelou aquilo que diz ser a verdade e apresentou também uma razão para que Marcinkus tivesse ordenado o rapto da jovem Emanuela Orlandi: o seu pai, Ercole, "terá visto documentos que não devia ter visto", sendo preciso assegurar o seu silêncio. Sabrina revelou ainda que De Pedis lhe contou tudo isto quando estava sob efeito da cocaína. Em 2012, as autoridades italianas abriram o túmulo de De Pedis, mas não encontraram vestígios de Orlandi.

Nestes anos todos, a família, e sobretudo o irmão de Emanuela, nunca deixaram cair o caso no esquecimento. Agora continuam a exigir o acesso aos documentos do Vaticano sobre o desaparecimento.

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