NATO insiste que aliados devem aumentar gastos 

Portugal entre os países que não cumpre o objetivo de gastar 2% do PIB em despesas militares

O secretário-geral da NATO insistiu hoje na necessidade de os aliados aumentarem as suas despesas em matéria de Defesa, por ocasião da divulgação do relatório anual da organização, que revela que Portugal integra o grupo maioritário aquém do objetivo.

De acordo com os dados do relatório de 2016 da Aliança Atlântica, em 2016 apenas cinco aliados atingiram ou ultrapassaram o objetivo acordado (e reafirmado em 2014) por todos os membros da organização de destinar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas militares, designadamente Estados Unidos (3,61%), Grécia (2,36%), Estónia (2,18%), Reino Unido (2,17%) e Polónia (2,01%).

Nesta lista, Portugal surge na 12.ª posição entre os 28 Estados-membros, ao ter consagrado 1,38% do PIB a despesas na área da defesa, o que significa um aumento face a 2015 (1,32%) e a 2014 (1,31%), mas aquém dos valores registados entre 2009 (1,53%) e 2013 (1,44%).

Na conferência de imprensa de apresentação do relatório, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou "indispensável para o laço transatlântico" que os membros da Aliança aumentem os gastos em defesa, como reclama o novo presidente norte-americano, Donald Trump, já que os Estados Unidos assumem 68% das despesas do conjunto dos 28 aliados.

"A partir já de 2017 devemos redobrar os esforços", afirmou, defendendo que a meta dos 2% ou mais do PIB "é realista".

"Todos os aliados concordaram ao mais alto nível e pode ser feito", enfatizou.

O relatório revela que, em termos brutos, de acordo com as estimativas para 2016, Portugal consagrou 2.541 milhões de euros a despesas de defesa no ano passado, contra 2.376 milhões um ano antes.

Em novembro passado, após um encontro bilateral com Stoltenberg, em Bruxelas, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, realçou que estava previsto um aumento bruto do investimento na área da defesa para 2017, mas o que tal significará em termos de percentagem do PIB só se apurará em função do crescimento económico português.

O ministro sublinhou então que, "em valores absolutos, o orçamento da Defesa [para 2017] aumentou 20,3 milhões de euros, que refletem aliás o maior investimento que está previsto na lei de programação militar, que não tem cativações, portanto é um investimento líquido".

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