"Não é possível ser tão irresponsável", diz Lula sobre Bolsonaro

Antigo presidente do Brasil defende, pela primeira vez, o impeachment do atual chefe de estado. "Só pensa nele, não no povo brasileiro nem no coronavírus"

Lula da Silva comentou o discurso à nação de Jair Bolsonaro, no qual o atual presidente da República sugeriu o fim do confinamento e a reabertura do comércio e das escolas.

"Ou esse cidadão renuncia, ou faz o impeachment dele, porque não é possível que alguém seja tão irresponsável de brincar com a vida de milhões de pessoas", disse o antigo presidente em conversa no canal do Partido dos Trabalhadores (PT) com Fernando Haddad, candidato derrotado por Bolsonaro, em 2018.

"Ele não estava preocupado com o coronavírus. Ele está preocupado com ele. Estava preocupado com o público a quem ele queria se dirigir para manter o clima de acirramento", continuou.

Para o antigo sindicalista, "seria ais correto que ele tentasse que o Brasil agisse de forma coesa".

"Eu fiquei assustado, porque o papel de um governante é orientar a sociedade. Tentar orientar baseado em informações científicas. O presidente tem o Ministério da Saúde, que tem dado determinada orientação. Para minha surpresa, o presidente aparece ontem na televisão, de forma intempestiva, fazendo uma guerra política contra a sociedade brasileira, contra governadores, contra prefeitos, que estão tentando acatar as orientações dadas pelo próprio Ministério da Saúde, subordinado ao presidente da República".

"Eu fico imaginando se é esse o papel de um presidente da República. Seria mais correto que ele tivesse convocado uma reunião com os governadores de estados, com secretários da Saúde, juntado seu ministério, dado orientação única para que o Brasil pudesse agir de forma coesa".

Em liberdade desde novembro do ano passado, depois de o Supremo Tribunal Federal ter entendido que só detidos em última instância devem ficar detidos, Lula acusa Bolsonaro de cálculo político. "Para mim, parecia uma preocupação eminentemente política e eleitoral. Ele não está pensando no povo brasileiro, não está pensando no coronavírus, ele está pensando nele".

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