Nacionalidade de Cruz põe fim a lua-de-mel com Trump

Magnata do imobiliário atacou o facto de o senador do Texas, filho de um cubano e de uma americana, ter nascido no Canadá.

Com duas semanas até o Iowa dar o pontapé de saída nas primárias que vão permitir a democratas e republicanos escolher o seu candidato às presidenciais de 8 de novembro de 2016, "parece que o bromance acabou "entre Ted Cruz e Donald Trump. Até agora o senador do Texas e o magnata do imobiliário tinham mantido essa es-pécie de amizade no masculino, poupando os ataques para os adversários. Mas agora foi o milionário quem confessou à CNN o fim da lua-de-mel no fim do sexto debate entre os candidatos da direita. Um confronto marcado pelas dúvidas que Trump lançou sobre a elegibilidade de Cruz, nascido no Canadá e filho de um cubano.

"Há um grande ponto de interrogação sobre a sua cabeça", exclamou Trump em relação ao facto de Cruz ter nascido em Calgary, na província canadiana de Alberta. Era aí que o pai, um cubano que fugiu ao regime de Fidel Castro e se formou em Matemática nos EUA, trabalhava na indústria petrolífera. Só nos anos 70, a família Cruz - a mãe de Ted era americana - voltou aos EUA, mas o pai só em 2005 trocou a nacionalidade canadiana pela americana.

De acordo com a Constituição americana, para se ser presidente dos EUA é preciso: ter mais de 35 anos, viver no país há mais de 14 e ser "um cidadão natural dos Estados Unidos". A definição, garante Cruz, inclui qualquer filho de um americano. Mas Trump sublinha que tal já foi posto em causa por académicos de Harvard e recorda que os democratas podem levar a questão aos tribunais caso seja Cruz o nomeado republicano.

Na resposta, Cruz decidiu usar as próprias palavras de Trump para se defender. "Em setembro, o meu amigo Donald disse que tinha pedido aos advogados para olhar para esta questão e não havia qualquer problema", explicou Cruz, antes de acrescentar: "Desde setembro, a Constituição não mudou, mas as sondagens sim."

A nível nacional, as sondagens continuam a dar larga vantagem a Trump - um estudo NBC/The Wall Street Journal dá 33% ao magnata, contra 20% para Cruz -, mas no Iowa, que vai a votos já a 2 de fevereiro, o senador chega mesmo a surgir à frente do milionário e estrela de reality shows. É o caso de uma sondagem do Des Moines Register/Bloomberg que dá 22% de intenções de voto para Trump e 25% para Cruz.

Da Virgínia ao Havai

Olhando para os locais de nascimento dos presidentes dos EUA, não espanta que quatro dos cinco primeiros fossem dessa Virgínia onde no século XVI chegaram os primeiros colonos britânicos. E é preciso chegar a Barack Obama, em 2008, para ter um chefe do Estado nascido num estado que não fica na América continental: o Havai.

Ted Cruz não é, contudo, o primeiro a deparar-se com dúvidas sobre a sua nacionalidade. Já sem falarmos das teorias da conspiração segundo as quais Obama nasceu no Quénia, terra do pai, também em 2008 o seu adversário republicano, John McCain, não nascera nos EUA. Filho de um militar, o veterano da Guerra do Vietname nascera no Panamá, numa base militar americana. O que, garantia ele, conta como ter nascido em solo americano.

Em 1967, George Romney, o pai do ex-governador do Massachusetts e também candidato presidente Mitt Romney, retirou a candidatura à nomeação republicana ainda antes de o facto de ter nascido no México se tornar polémico.

Quanto a Cruz, os tribunais até lhe podem dar razão, mas só 47% dos americanos ouvidos para uma sondagem Ipsos/Reuters consideram que o senador cumpre os requisitos para ser presidente.

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