Na China, os BRICS dão as mãos em nome da economia

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reúnem-se entre hoje e terça-feira na cidade de Xiamen. O encontro anual acontece desde 2009 e no ano passado teve lugar em Goa. Juntos, os cinco países representam quase 40% do total da população mundial, cerca de 22% do produto bruto do planeta e mais de 25% do território

Brasil - Um país a braços com um planalto de corrupção

A presidente Dilma Rousseff foi destituída há um ano e afastada do poder por alegadas pedaladas fiscais. No seu lugar, como presidente da República, no Palácio do Planalto, ficou Michel Temer. Para os simpatizantes de Dilma e eleitores do Partido dos Trabalhadores, o impeachment foi um golpe de Estado mascarado. As alterações na cúpula do poder não tiveram o condão de acalmar a turbulência política. Temer também está a braços com a justiça. Apesar do grande potencial, o Brasil continua travado por uma cultura de corrupção que parece atingir todos os principais protagonistas. Depois da época de esperança que se seguiu à eleição de Lula da Silva e que ainda perdurou até à organização dos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil volta a enfrentar um clima de pessimismo, com constantes manifestações contra a classe política.

Rússia - Vladimir Putin entre a Ucrânia, a Síria e o petróleo

A política externa russa tem sido marcada pelo conflito no Leste da Ucrânia e pela guerra civil na Síria. Putin é o grande aliado de Bashar al-Assad na luta contra as várias fações rebeldes. A relação com Donald Trump, presidente dos EUA, também tem marcado a atualidade. Depois de um período de lua-de-mel entre os dois líderes, voltou a falar-se de uma nova guerra fria. Moscovo e Washington têm-se atacado mutuamente com a expulsão de representes e encerramento de missões diplomáticas. A nível interno, Putin - seja pela elevada taxa de aprovação ou pela forma musculada como lida com os críticos - continua sem ter de se preocupar com uma oposição forte. Depois da subida dos preços do petróleo nos últimos anos, a economia recuperou algum dinamismo, mas as perspetivas de crescimento continuam tímidas.

Índia - Um gigante dos serviços e da tecnologia

O país acaba de celebrar os 70 anos de independência da coroa britânica. Apesar de já terem passado sete décadas desde a participação, a paisagem política continua marcada pelas clivagens entre hindus e muçulmanos. Ainda assim, a economia indiana tem-se mostrado um caso de sucesso. Ao contrário da China, que apostou na produção de bens, a Índia virou-se para a tecnologia e para os serviços. O setor terciário representa mais de 60% do produto do país. De acordo com a revista Time, em 1990 os indianos representavam apenas 1% da classe média a nível mundial. Em 2015 esse valor tinha subido para 8% e espera-se que até 2030 haja mais 380 milhões de indianos a juntar-se a esse escalão. Segundo dados do World Economic Forum, a economia indiana é a sétima maior do mundo em 2017, representando quase 3% do produto.

China - Liderança forte com Pyongyang ali ao lado

Pequim tem estado no centro das atenções devido a Pyongyang. A China é o grande aliado do regime norte-coreano e tem vindo a tratar com pinças a situação de instabilidade na península coreana. Por um lado, não pode deixar de condenar as manifestações de força de Kim Jong-un e vê-se obrigada a alinhar nas sanções económicas aprovadas pela comunidade internacional. Por outro, Pequim tem medo de que a corda estique demasiado. Uma profunda crise económica na Coreia do Norte facilmente poderia ter como consequência uma onda de refugiados a entrar em território chinês. A economia da China tem vindo a registar taxas de crescimento perto dos 7% e politicamente existe estabilidade. "Xi Jinping tornou-se um dos mais poderosos líderes na história moderna do país", podia ler-se num artigo de abril da CNN.

África do Sul - Zuma e o ANC de Mandela cada vez mais acossado

As eleições regionais de há um ano revelaram-se um marco na política recente do país. O Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), o histórico partido de Nelson Mandela hoje liderado pelo controverso Jacob Zuma, registou o seu pior resultado de sempre, tendo mesmo perdido a liderança em Pretória e em Mandela Bay. Economia estagnada, desemprego em alta e escândalos de corrupção envolvendo Zuma e outros dirigentes do ANC ajudam a explicar os novos ventos políticos. Ao mesmo tempo, a Aliança Democrática, partido conotado com a minoria branca, tem hoje o seu primeiro líder negro, Mmusi Maimane. Zuma, presidente do país desde 2009, vai sobrevivendo às moções de censura graças à maioria de que o seu partido goza no parlamento, mas é um líder cada mais fraco e contestado.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG