Mulher do primeiro-ministro do Lesoto libertada sob fiança de 61 euros

A mulher do primeiro-ministro do Lesoto, acusada de ter orquestrado o assassinato da antiga esposa do chefe do Governo, foi esta quarta-feira libertada sob fiança.

Maesaiah Thabane, 42 anos, atual mulher do primeiro-ministro Thomas Thabane, 80 anos, tinha-se apresentado às autoridades do país na terça-feira, tendo ficado sob custódia policial durante a última noite, após ter sido interrogada sobre a morte de Lipolelo Thabane, assassinada a tiro em junho de 2017.

Durante esta quarta-feira, na sua primeira presença em tribunal, na capital, Maseru, Maesaiah foi libertada sob fiança no valor de mil loti (61 euros, cerca de dois terços do salário mínimo mensal no país).

Maesaiah é acusada pelos procuradores responsáveis pelo caso de ter sido a responsável pela organização do crime que matou Lipolelo em 14 de junho de 2017.

Lipolelo Thabane, então com 58 anos, foi morta a tiro, dois dias antes da investidura do seu marido à frente do Governo daquele pequeno país da África Austral, num momento em que o casal atravessava um processo de divórcio.

No início de janeiro, Thomas Thabane foi implicado pela polícia no homicídio da sua mulher, devido ao surgimento de novas provas, nomeadamente escutas telefónicas que o localizaram no local e momento do crime.

Ainda no mês passado, Thomas Thabane aceitou demitir-se "em breve" das suas funções enquanto primeiro-ministro. "Thabane deu conta da sua decisão de abandonar as funções no Governo aos deputados do seu partido", referiu então Montoeli Masoetsa, porta-voz da Convenção de Todos dos Basothos (ABC), o partido no poder, citado pela agência France-Presse.

Masoetsa acrescentou que "a data precisa da sua saída não foi definida, mas será em breve".

Tanto o seu partido como a oposição reclamavam a Thabane o abandono das suas funções na sequência da implicação no assassinato da sua mulher. "Nunca deixámos de o pressionar a retirar-se, agora que ele aceitou, cabe à ABC, enquanto partido maioritário, encontrar o seu sucessor", disse Masoetsa à agência noticiosa.

O porta-voz do partido explicou ainda: "Vamos realizar em data a definir uma conferência especial [do partido] que se encarregará de nomear o sucessor de Thabane".

O Lesoto, um dos mais pobres países do mundo, em enclave no meio da África do Sul, enfrenta sérios problemas económicos, com níveis de desemprego muito elevados, e uma epidemia de sida que atinge 23% da população de dois milhões de habitantes.

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