Mari Carmen foi morta há 37 anos. Estava grávida. Agora um escritor é o principal suspeito

O cadáver de Mari Carmen, na altura grávida de cinco meses, foi descoberto num terreno onde Manuel Macarro Thierbach viveu com a família. Romancista de 73 anos admite que teve uma relação com a jovem, que descreve como "promíscua"

Manuel Macarro Thierbach, de 73 anos, é o principal suspeito de um crime cometido há 37 anos. É acusado de ter morto a tiro a amante, uma mulher de 25 anos. A vítima terá sido assassinada em 1981 na cidade de Sant Salvador de Guardiola, em Barcelona. Estava grávida de cinco meses. As autoridades vão tentar saber através de testes de ADN se ele é o pai da criança que a mulher trazia na barriga.

Macarro é um escritor pouco conhecido de Castellón, mas já viveu muitas vidas. Nasceu num campo de concentração nazi em 1945 e foi abandonado pela mãe. Cresceu num orfanato alemão do qual fugiu quando tinha 17 anos. Chegou a Espanha a bordo de um navio mercante chamado "Lisboa", revela o El Mundo, que publicou este sábado uma entrevista com o escritor, que nega a acusação.

Foi sem abrigo nas ruas de Barcelona e chegou a ser preso algumas vezes por furto. Acabou por encontrar um rumo e chegou a criar uma empresa que faturava milhões nos anos 90. Segundo o jornal espanhol Las Provincias, que contou a história em dezembro do ano passado, ficou na ruína devido a uma "traição familiar", e recolheu sucata na rua para sobreviver. Em Castellón reergueu-se e publicou oito romances entre 2010 e 2015. Um dos seus romances conta a história de um polícia reformado que tenta resolver o homicídio de um jovem executado por um crime que não cometeu.

Pista chegou em 2017 através da irmã de Mari Carmen

Os investigadores da Guarda Civil estão convencidos de que foi Macarro quem matou a jovem. O cadáver de Mari Carmen F. M. foi encontrado em janeiro de 1999 quando o dono de um chalé fez uma escavação para plantar uma oliveira no terreno à volta da casa e encontrou um esqueleto enterrado. Na altura, não foi possível identificar a vítima. Mas, em novembro de 2017, a irmã de Mari Carmen foi a Madrid reivindicar que a polícia não poderia considerar que a familiar estava morta, como se preparava para fazer, tendo em conta os anos em que nada se sabia do seu paradeiro. A irmã da espanhola tinha desaparecido em 1981, mas ninguém sabia que era o cadáver encontrado em 1999.

Através do cruzamento de dados, as autoridades conseguiram perceber que o cadáver não identificado descoberto em Barcelona pertencia a Mari Carmen. A investigação concluiu que a vítima e Macarro eram amantes em 1981, embora o homem vivesse na altura em Madrid, com a mulher e os três filhos. Desde então o escritor tornou-se o suspeito número um do crime, principalmente depois de os investigadores terem descoberto que Macarro tinha arrendado o chalé onde apareceu o corpo na mesma altura em que Mari Carmen desaparecera.

"Eu seria um idiota se enterrasse um cadáver a apenas cinco metros da entrada da minha casa. Tendo um carro teria carregado o corpo e poderia tê-lo deixado em qualquer lugar para que não me ligassem ao crime ", disse o escritor. "Sobre o tiro que o juiz disse que eu terei disparado à queima-roupa [Mari Carmen foi atingida com uma bala na cabeça], eu nunca usei uma arma. E nunca bati numa mulher ", afirmou.

"Dei o meu consentimento para que fosse feito o teste de ADN, mas se o filho que Mari Carmen estava à espera era meu, isso não prova nada. Tenho nove filhos de quatro mulheres ", disse Macarro. "Ela não era minha amante. A nossa relação durou apenas alguns dias ou algumas semanas ", acrescentou.

Ao El Mundo, anuiu ter conhecido a jovem, mas ter tido uma relação que apelida de "fugaz" com ela, embora a tenha levado até Barcelona, para onde estava a pensar em viver com a mulher e os filhos. "O trabalho terminou e eu voltei para Madrid. Ela [Mari Carmen] disse que queria ficar na casa por mais dois dias, porque depois iria para a Austrália, e eu deixei", explica. Garante que nunca mais a viu.

Crime prescreveu em 2001, vinte anos depois de ter ocorrido

Conta ainda que quando veio viver com a família para Barcelona e para o chalé em cujo terreno o corpo da mulher foi encontrado, nunca percebeu que alguém tivesse feito uma cova, descrevendo como "o terreno tinha 10 000 metros quadrados". Sobre o facto de ter ficado apenas oito meses nessa casa, alega que já não conseguia pagar a renda.

Macarro não descarta a possibilidade do filho ser seu, mas acusou Mari Carmen de de ser promíscua. "No dia em que a conheci dormi com ela e fizemos uma troca de casais, ela gostava de mudar de parceiros".

A Guarda Civil diz que em 1999, ao descobrir o corpo, tentou localizar o escritor, mas que como este mudava de endereço frequentemente, parecia que estava em fuga. O escritor diz-se indignado com as suspeitas de que não só matou Mari Carmen como viveu foragido desde então. Garante que renovou documentos, constituiu uma empresa em seu nome, e que nunca se escondeu.

Manuel Macarro Thierbach pagou uma fiança para ser libertado e aguarda ser chamado pelo tribunal. No entanto, uma vez que o crime foi cometido em 1981, está prescrito desde 2001, vinte anos após ter sido cometido, como prevê a lei espanhola.

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