Morreu Karl Lagerfeld

Estilista e diretor artístico da Chanel morreu aos 85 anos. Em janeiro, Lagerfeld já tinha faltado ao último desfile da Chanel devido a problemas de saúde.

Morreu o estilista Karl Lagerfeld. O diretor artístico da casa Chanel tinha 85 anos e já tinha faltado ao último desfile da marca de alta costura, que se realizou no passado mês de janeiro em Paris. A Chanel justificou a ausência com o cansaço do diretor criativo.

"Eu sou como uma caricatura de mim próprio e gosto disso", dizia Lagerfeld, que tinha um estilo próprio, autêntico - até devido ao cabelo branco, óculos escuros e luvas - e polémico.

Karl Otto Lagerfeld nasceu em Hamburgo a 10 de setembro de 1933 e morreu em Paris. O designer de moda alemão era atualmente o diretor criativo da Chanel, bem como da casa de moda italiana Fendi. Dirigia também a sua própria marca.

Depois de frequentar uma escola privada, Lagerfeld terminou o ensino secundário no Lycée Montaigne, em Paris, onde se formou em desenho e história. Mais tarde concorreu e venceu um concurso de casacos promovido pela Secretaria de lã Internacional em 1955 e conquistou a atenção de algumas das maiores casas de alta costura francesa. Preferiu ser contratado por Pierre Balmain, de quem foi assistente. Em 1958, depois de três anos na Balmain, mudou-se para a casa Jean Patou, onde ele projetou coleções de alta costura durante cinco anos. Nesse ano apresentou ainda a sua primeira coleção em nome pessoal, mas usou o nome de Roland Karl, ao invés de Karl Lagerfeld.

A primeira coleção foi mal recebida. Carrie Donovan, uma jornalista de moda americana, escreveu que "a imprensa vaiou a coleção".

A introdução de saias curtas nas coleções de pronto a vestir também não foram do agrado do público. A imprensa massacrou-o: "Pronto-a-vestir, não alta-costura." Ele respondeu com uma coleção de chapéus final de 1960, a que chamou "bofetada na cara." Desta vez a coleção foi bem bem recebida, apesar de "nada inovadora". Uma critica que o levou a fazer uma pausa para repensar a carreira. "Passei dois anos nas praias. Estudei a vida", contou o designer que depois voltou e começou a desenhar para Tiziani, uma casa de alta costura romana fundada naquele ano por Evan Richards. Começou como haute-couture e passou ao prêt-à-porter. Elizabeth Taylor era uma fã e deu uma ajuda ao crescimento da marca.

Seguiu-se a Chloé, em 1964. E foi na casa francesa que ele começou a dar nas vistas pelo que apresentava nas passerelles. A saia "surpresa", de comprimento até ao tornozelo, de seda plissada e com um ar tão solto que ninguém percebeu que eram umas calças. Passou a colaborar com a grife italiana Fendi, projetando peles, roupas e acessórios.

Figurinista e fotógrafo

O ar teatral de algumas das suas peças abriram-lhe as artes. Foi figurinista do La Scala em Milão entre outros. Até que em 1983, foi nomeado diretor artístico do prêt-à-porter e acessórios da casa Chanel com intenção perpetuar o espírito da estilista fundadora Coco Chanel, que morreu em 1971. O contrastes preto/ branco, que são igualmente as cores de base do estilo Chanel, passaram a ser as de de Karl Lagerfeld, que resolve criar marca própria. Em 1991, foi nomeado o novo diretor artístico da Chloé para reinventar a marca que se econtrava em declínio.

No início do milénio associa-se a Renzo Rosso, fundador da Diesel, para colaborar com ele em uma coleção denim especial para a Galeria Lagerfeld. Mais tarde juntou-se à H&M, apesar de expressar algum receio de que trabalhar com marcas

Lagerfeld é também um fotógrafo. Fotografou pessoalmente Mariah Carey para a capa da V magazine em 2005. Além de seu trabalho editorial para Harper Bazaar, Vogue, Lagerfeld fez ainda campanhas publicitárias para asas como Chanel, Fendi e Galeria Lagerfeld. Em 2013, dirigiu o curta-metragem Era Uma Vez ... na Cité du Cinéma, Saint-Denis, por Luc Besson, com Keira Knightley no papel de Coco Chanel.

Polémicas: da idade ao uso de uma stripper num desfile

A primeira polémica do excêntrico costureiro começa na data de nascimento. Ninguém sabe ao certo quando nasceu. Entrevistado numa televisão francesa em fevereiro de 2009, Lagerfeld disse que "nasceu nem em 1933 e não em 1938." Depois, em abril de 2013 disse que nasceu em 1935. O que levou a imprensa alemã à procura do registo de nascimento. O ​registo de batismo em Hamburgo deu-o como nascido em 1933. Lagerfeldt (com um "t"), mas mais tarde ele mudou para Lagerfeld como, em suas palavras, "soa mais comercial".

Karl cresceu no meio da moda com a ajuda de algumas polémicas e quebras de tabú. Usar uma stripper e estrela de filme porno, Moana Pozzi, para desfilar para a Fendi em 1993. Ou usar um verso do Alcorão na coleção Chanel, em 1994, levou o Conselho Indonésio de estudiosos muçulmanos em Jacarta a pedir um boicote à Chanel.

Em 2001, em Nova Iorque, viu um grupo de ativistas dos direitos dos animais protestar contra o uso de peles atirando tortas de tofu contra as modelos. Mais recentemente chamou a cantora Adele de "gorda demais" e o mundo caiu-lhe em cima. E nem Angela Merkel lhe escapou. No ano passado deu uma entrevista à revista francesa Le Point onde admitia renunciar à cidadania alemã, afirmando "odiar" a chanceler alemã por abrir o caminho para o ressurgimento do neonazismo com a sua política de imigrantes.

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