"Monstro de Raval" causou vários problemas antes de violar portuguesa

Antes de ser detido pela violação de uma portuguesa de 37 anos, o homem já tinha provocado incêndios e causado outros danos no bairro de Raval, ficando sempre em liberdade

O "Monstro de Raval" - alcunha que lhe foi dada pelos moradores do bairro de Raval (Barcelona), por onde deambulou no último mês - já tinha causado muitos problemas, que obrigaram à intervenção da polícia, antes de violar selvaticamente uma portuguesa de 37 anos, na madrugada da passada sexta-feira. Acabou por ser sempre deixado em liberdade pelas autoridades.

Finalmente detido, depois de um botão encontrado no local onde se deu a violação, nos jardins do Museu Marítimo de Barcelona, ter sido associado a um casaco que costuma usar, o suspeito ficou nesta terça-feira a conhecer a medida de coação de prisão preventiva sem possibilidade de caução. No entanto, as autoridades estão a ser criticadas por não terem identificado atempadamente a ameaça que este homem constituía.

Vários jornais espanhóis, que citam residentes daquele bairro e de outros nas imediações, dão conta de um sentimento de revolta perante um crime que muitos acreditam poderia ter sido evitado caso a polícia tivesse atuado de forma mais célere e determinada perante o comportamento errático deste sem-abrigo, que deverá sofrer de perturbações mentais.

O relato das "peripécias" em que o homem se envolveu desde que chegou ao bairro, no início do mês, inclui arrancar cabos de telecomunicações, provocar pelo menos dois incêndios e distribuir injúrias e ameaças por quem se cruzava com ele na rua. Chegou a ser interpelado e detido algumas vezes. Mas foi sempre libertado. Isto, apesar de também não trazer documentos e ter dado às autoridades nomes diferentes a cada ocasião, incluindo "Omar", "Pascal" e "Sebi". A polícia catalã está nesta fase em contactos com a congénere de França, de onde se julga ter vindo o suspeito, que se acredita ter 32 anos de idade.

Representantes da oposição na câmara de Barcelona já exigiram à autarca da cidade, Ada Colau, explicações sobre a aparente descoordenação entre a Guardia Urbana (polícia municipal) e os Mossos d' Esquadra.

Brutalidade extrema

A vítima portuguesa, que era residente no bairro, foi encontrada em estado de choque por funcionários da limpeza das ruas, depois de ter conseguido escapar ao agressor.

Além da da violação, sofreu agressões físicas de violência extrema. O homem arrancou-lhe uma orelha à dentada - que viria a ser recuperada no local do crime e entregue aos cirurgiões do Hospital Clínico de Barcelona, tendo em vista a sua reconstrução - partiu-lhe um braço, rasgou-lhe um lábio e deixou-lhe mazelas por todo o corpo.

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