ONU diz que abertura de Suu Kyi "é bom sinal" para entrar na Birmânia

A líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi revelou esta terça-feira a "disponibilidade categórica" do Governo birmanês para receber os refugiados rohingya

A missão da ONU sobre direitos humanos na Birmânia considerou esta terça-feira a abertura da líder birmanesa para receber os mais de 420 mil refugiados rohingya "um bom sinal" face às tentativas, até agora frustradas, para entrar no país.

A presidente da missão de estabilização para a Birmânia, Marzuki Darusman, destacou dois aspetos principais do discurso da líder de facto da Birmânia (Myanmar), Aung San Suu Kyi: a "disponibilidade categórica" do Governo birmanês para receber os retornados e a sua aceitação para ser "globalmente escrutinada pela comunidade internacional".

Darusman lamentou o recrudescimento da violência no último mês, que já levou mais de 421 mil rohingya a refugiarem-se no Bangladesh, e pediu ao Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas uma extensão de seis meses do prazo para apresentar o primeiro relatório da sua equipa

Os investigadores da ONU reiteraram esta terça-feira o apelo "a um acesso completo e sem obstáculos" ao país, demonstrando "grande preocupação" sobre os direitos humanos, mas as autoridades birmanesas voltaram a recusar.

"Reiteramos a nossa posição de nos dissociarmos desta resolução", estabelecida pela missão, disse o embaixador birmanês perante as Nações Unidas em Genebra, Htin Lynn, que sustentou que "a criação de uma entidade deste tipo não ajuda ao curso da ação para resolver a já de si complicada questão de Rakhine [estado birmanês onde residem os rohingya] e os esmagadores desafios".

Darusman relatou assassinatos em massa, o uso excessivo de força, tortura e mais tratos, violência sexual e baseada no género, e a destruição e queima de cerca de 200 povoações inteiras, num ato que as Nações Unidas já descreveram como uma "limpeza étnica".

A nova crise de violência eclodiu no passado dia 25 de agosto, depois de um ataque de um grupo rebelde rohingya contra vários postos policiais e militares, que teve como resposta uma operação militar que provocou a fuga de cerca de 421 mil pessoas desta minoria.

O embaixador sublinhou que "nada justifica o terrorismo" e assegurou que a resposta das forças de segurança é "proporcional" e "unicamente dirigida a terroristas", com o fim de salvaguardar a soberania do Estado birmanês e restaurar o império da lei e da ordem.

Lynn acrescentou que após os ataques de outubro passado, o Governo "fez esforços não só para restaurar a paz, a lei e a ordem, como para promover a harmonia entre as duas comunidades".

O diplomata também indicou que, na sequência dos continuados ataques terroristas dos rebeldes rohingya, membros das comunidades muçulmana, hindu e budista, bem como minorias étnicas como as mro, daingnet e kaman foram "assassinados e deslocados".

A líder de facto da Birmânia, Aung San Suu Kyi, disse hoje que o país está "pronto" para organizar o regresso dos rohingyas refugiados no Bangladesh e afirmou "lamentar profundamente" a situação dos civis apanhados pela crise no estado de Rakhine.

A líder birmanesa disse que "apesar de todos os esforços" o Governo não conseguiu acabar com o conflito.

Não é intenção do Governo evitar as responsabilidades

Suu Kyi, prémio Nobel da Paz, sublinhou que "condena todas as violações dos direitos humanos".

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