Minneapolis em chamas por Floyd. Trump chama "bandidos" a manifestantes

A Guarda Nacional foi chamada a intervir após a terceira noite de protestos. Trump apelou ao uso da força: "Quando as pilhagens começarem, os tiros começam", escreveu no Twitter.

A Guarda Nacional dos EUA foi enviada para Minneapolis após a terceira noite de protestos contra a morte de George Floyd, de 46 anos, um homem negro que terá morrido sufocado após nove longos minutos em que um polícia branco lhe prendeu o pescoço com o joelho.

Testemunhos citados pela BBC e pelo Guardian descrevem como a esquadra de polícia onde os agentes envolvidos na detenção de Floyd trabalhavam foi invadida e o prédio incendiado.

Um porta-voz da polícia da cidade do Estado de Minnesota confirmou que a terceira esquadra, situada perto do local onde Floyd morreu, foi evacuada "no interesse da segurança do pessoal".

O incêndio deu-se pouco depois das 22:00 de quinta-feira (05:00 de hoje em Lisboa).

No Twiter, Donald Trump reagiu aos confrontos e já ameaçara chamar a guarda nacional, ao mesmo tempo que chamou os manifestantes de "bandidos", apelou ao uso da força e definiu o autarca da cidade como "muito fraco" por não estar a conseguir conter os protestos que se tornaram violentos.

Anteriormente Trump tinha afirmado que a morte de Floyd o fazia sentir "muito mal" e que estava "chocado".

No entanto, a linguagem do presidente dos Estados Unidos, nas habituais mensagens através do Twitter, endureceu nas últimas horas referindo-se diretamente aos manifestantes.

"Estes 'BANDIDOS' estão a desonrar a memória de George Floyd e eu não vou deixar que isso aconteça", escreveu Trump.

"Acabei de falar com o governador Tim Waltz e disse-lhe que pode contar com os militares. Assim que aconteça qualquer dificuldade nós assumimos o controlo. Quando as pilhagens começarem, os tiros começam", escreveu Trump.

A cidade de Minneapolis registou nas últimas 24 horas outros 30 incêndios tendo-se verificado atos de pilhagens perto do local onde Floyd morreu.

Num centro comercial em frente à terceira esquadra, as montras de quase todas as lojas foram estilhaçadas, com manifestantes a atirarem manequins de uma loja saqueada para dentro de um automóvel em chamas.

Estado de "emergência em tempos de paz" devido aos protestos

Na quarta-feira, a polícia disparou gás lacrimogéneo contra vários manifestantes enquanto vária empresas da cidade fora assaltadas. Também ocorreram manifestações contra a morte de Floyd em Chicago, Los Angeles e Memphis.

O homicídio do homem negro aumentou a indignação e revolta pela assassinato de negros norte-americanos por polícias brancos, escreve a BBC.

Todos recordam um homicídio semelhante, o caso recente de Breonna Taylor, no Kentucky, uma médica de 26 anos que foi atingida oito vezes por agentes do Departamento de Polícia de Louisville Metro que entraram na sua casa no decorrer de uma investigação que afinal se provou ter sido um erro.

O governador de Minnesota, Tim Walz, ativou as tropas da guarda nacional do estado na quinta-feira, a pedido dos autarcas de Minneapolis e de St. Paul, declarando a situação uma "emergência em tempos de paz".

Os roubos, vandalismo e incêndios da noite anterior resultaram em danos a muitas empresas, incluindo as pertencentes a minorias, revelou Waltz.

"A morte de George Floyd deve conduzir-nos à justiça e a mudanças sistémicas, não a mais morte e destruição", acrescentou, pedindo que todos os protestos permaneçam pacíficos.

O autarca de Minneapolis também respondeu a Trump, que o chamara de "muito fraco" no Twitter e descrevera os manifestantes como "bandidos".

"Bem, deixe-me dizer isto, fraqueza é recusar assumir a responsabilidade das nossas próprias ações. Fraqueza é apontar o dedo a outra pessoa durante um período de crise. Donald Trump não sabe nada sobre a força de Minneapolis. Nós somos fortes como o inferno. São tempos difíceis, mas pode ter a certeza de que vamos superar isto", foi a resposta do presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey..

Frey pediu na quarta-feira que o agente filmado a prender o pescoço de Floyd - o que lhe terá causado a morte por asfixia - fosse alvo de uma acusação criminal e os quatro polícias envolvidos na detenção do homem negro já foram despedidos da polícia.

Um dos agentes envolvidos neste caso - Derek Chauvin, de 44 anos - já tinha estado envolvido em outros três tiroteios e recebeu 17 queixas durante os seus 19 anos de carreira, segundo a Associated Press.

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