Ministro israelita pede medalha para soldado captado a abater palestiniano

Incidente ocorreu em dezembro de 2017

O ministro da Defesa israelita, Avigdor Lieberman, afirmou esta terça-feira que o soldado que disparou sobre um palestiniano perto da Faixa de Gaza, captado por um vídeo que se tornou viral, merece uma medalha.

"O sniper deveria receber uma medalha, e quem filmou deveria ser despromovido", declarou Lieberman aos jornalistas.

O exército israelita explicou, por seu lado, que o incidente ocorreu no passado mês de dezembro, no decorrer de confrontos ao longo da barreira que separa Israel da Faixa de Gaza.

O vídeo foi divulgado num contexto de tensão na região, que aumentou desde que começou a "Marcha do Retorno", a mobilização que reclama o direito ao retorno dos refugiados palestinianos e que prosseguirá, segundo os seus organizadores, até 15 de maio.

Na sexta-feira, 30 de março, concentraram-se cerca de 30.000 pessoas junto da fronteira com Israel, e no último fim de semana mais de 20.000 fizeram o mesmo, em cinco pontos da Faixa de Gaza, onde se montaram simbólicos acampamentos permanentes e decorreram atividades durante a semana.

Israel enfrentou fortes críticas das organizações de defesa dos direitos humanos, inclusive israelitas, pela utilização de balas verdadeiras contra manifestantes da "Marcha do Retorno", organizada pelos palestinianos.

Depois do dia 30 de março, durante o qual 19 palestinianos foram mortos, a União Europeia e a ONU pediram a abertura de um inquérito independente.

Na sexta-feira, durante uma nova jornada de manifestações marcada por confrontos, foram mortos dez palestinianos, entre os quais um jornalista envergando um colete em que se lia "Imprensa", fazendo com que a UE se interrogasse novamente sobre o uso proporcionado ou não da violência por Israel.

No total, incluindo dois palestinianos mortos em confrontos distintos, o balanço de mortos desde 30 de março ascende a 30 cidadãos palestinianos, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza.

Não houve qualquer vítima do lado israelita.

O Governo de Benjamin Netanyahu acusa o Hamas, no poder na Faixa de Gaza, de estar por detrás deste movimento de protesto, e afirma que os soldados israelitas abriram fogo contra manifestantes que tentavam infiltrar-se no seu território apenas por necessidade e para impedir ataques.

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