Ministro das Finanças britânico: Brexit com ou sem acordo a 31 de outubro

Sajid Javid discursou no congresso do Partido Conservador, que decorre até quarta-feira em Manchester. Anunciou que o objetivo é aumentar o salário mínimo para as 10,5 libras por hora (pouco menos de 12 euros) nos próximos cinco anos.

O ministro das Finanças britânico, Sajid Javid, reiterou que o Reino Unido vai sair da União Europeia a 31 de outubro, com ou sem acordo. "Não é uma questão de se [vamos sair] é uma questão de dias... com ou sem acordo", afirmou, alegando que o risco de não avançar para o Brexit é maior do que o risco de avançar.

"As pessoas falam muito dos riscos do Brexit. Alguns compreensíveis, outros não. Mas a verdade é esta, e não é reconhecida com a frequência que deveria ser. O custo mais imprudente de todos seria não garantir o Brexit", disse Javid, no congresso do Partido Conservador, que decorre em Manchester. "Se não cumprirmos com o que o povo britânico decidiu corremos o risco de rasgar o próprio tecido da nossa democracia, que foi cuidadosamente tecido ao longo de séculos. E se fizermos isso, temo que nunca seremos capazes de o tecer novamente", acrescentou.

O ministro das Finanças defendeu a necessidade de colmatar as divisões na sociedade britânica, alegando que o caminho para o fazer não é continuar a discutir o Brexit para sempre. "É finalmente seguir a decisão original e levar o país para a frente."

Javid disse estar "otimista" com o futuro da economia britânica, dizendo que o Reino Unido será capaz de aproveitar as oportunidades que o Brexit vai trazer. "Vamos poder ter uma política comercial genuinamente independente", disse. "Vamos ser capazes de substituir os programas europeus ineficientes com alternativas melhores e da casa", acrescentou. E anunciou o financiamento de vários projetos rodoviários no país, assim como em autocarros e na banda larga.

Outro anúncio foi o aumento do salário mínimo, que atualmente é de 8,21 libras [9,27 euros] por hora para os que têm mais de 25 anos. "Vou estabelecer um novo objetivo para o salário mínimo: um aumento para atingir dois terços dos rendimentos médios. Isso significa, nas previsões atuais, que este plano ambicioso elevará o salário mínimo nacional a 10,50 libras [pouco menos de 12 euros], dando a quatro milhões de pessoas um aumento salarial merecido". A ideia é implementar o plano em cinco anos. E o plano incluirá os trabalhadores a partir dos 21 anos (que ganham atualmente ainda menos).

No discurso, Javid atacou os liberais-democratas, que têm vindo a subir nas sondagens. "A democracia não é só para quando convém. Como para os Lib-Dem, que pediam um referendo há anos. Depois, mudaram de ideias. Depois disseram que iriam respeitar o resultado. Depois não o fizeram. Depois pediram um segundo voto. Depois mudaram de ideias e agora querem de alguma forma fazer de conta de que nada aconteceu", lembrou. "Recuar nas nossas promessas ao povo britânico não é 'liberal'. E certamente não é democrático."

Mas as críticas foram também para o Labour, com o ministro a alegar que estão tão divididos que até o líder do partido, Jeremy Corbyn, e o ministro-sombra, John McDonnell, não concordam se devem apoiar ou não o Brexit. Por isso, querem outro referendo com duas opções: "possivelmente e talvez". E continuou, brincando com o lema dos trabalhistas "para todos, não para alguns": "Que líder. Um homem para as muitas posições de Brexit, não para algumas."

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