Milionário das lojas 'duty free' cumpriu objetivo de vida, aos 89 anos: doar toda a fortuna

Chuck Feeney, americano com raízes irlandesas, tem 89 anos e decidiu em 1982 criar uma fundação para doar toda a sua fortuna antes de morrer. 38 anos e 6, 7 mil milhões de euros depois conseguiu. Não tem casa ou carro e vive com um par de sapatos e um relógio Casio que custa menos de dez euros.

Com a conta a zeros. Assim ficou Charles (Chuck para os amigos) Feeney depois de doar toda a sua fortuna, 6, 7 mil milhões de euros. O filantropo americano, com raízes irlandesas, de 89 anos de idade, informou esta semana que ia encerrar a fundação que criou em 1982 (há 38 anos) para distribuir a sua fortuna por várias causas. "Sinto-me bem por ter concluído essa iniciativa", confessou Feeney, durante a cerimónia de encerramento da Atlantic Philanthropies, planeada há dez anos. Ele sabia que o dinheiro ia acabar um dia e planeou-o.

O co-fundador da Duty Free (free shops localizadas nos aeroportos), e do fundo de investimentos General Atlantic, fazia as doações de forma anónima. Nunca quis o protagonismo das doações. Fê-lo sempre em segredo. Mas agora sabe-se que ajudou no processo de paz da Irlanda do Norte e a financiar campanhas para abolir a pena de morte nos EUA (52, 3 milhões) bem como o Obamacare, programa e saúde criado pelo ex-presidente americano Barak Obama (64,1 milhões), por exemplo.

A luta pelos direitos humanos custou-lhe 735 milhões. Feeney também doou mais de 591 milhões à saúde, sendo 228 milhões para melhorar a situação do serviço público no Vietname e 149 milhões para o Global Brain Health Institute, da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Os últimos 296 milhões foram para a construção de um campus de tecnologia na Ilha Roosevelt, em Nova Yorque.

"O bilionário que quer morrer falido... está oficialmente falido", escreveu a Forbes, a quem Feeney confessou, que, em 2012, reservou apenas dois milhões de euros para viver o resto da vida na companhia da mulher. O que significa que doou 99,75% da sua fortuna. O empresário agora reformado integra um movimento chamado Giving While Living (Doe enquanto vive). "Experimentem, vão gostar. Não vejo razão para adiar doações quando há tanto bem que se pode fazer apoiando causas que valem a pena. Além disso, é muito mais divertido dar em vida do que depois de morto", disse o "James Bond da Filantropia", como o apelidou a revista financeira.

Neto de imigrantes do Condado de Fermanagh, Irlanda do Norte, Feeney tem dez filhos -todos foram instruídos a trabalhar no verão como garçons ou camareiras - e vive com a mulher (uma ex-secretária) num modesto apartamento em São Francisco, na Califórnia (EUA), não tem carro próprio e, diz quem o conhece, só tem um par de sapatos. De avião viaja sempre em classe económica, mesmo que alguns familiares e amigos optem pela primeira classe.

Christopher Oechsli, que trabalhou para Feeney por mais de 30 anos, disse que ele tentou viver uma vida de luxo mas chegou à conclusão que aquilo não era para ele: "Ele não tem casa, nem carro. As histórias da sua frugalidade são verdadeiras: ele tem um relógio Casio que custa dez dólares (oito euros e meio) e carrega os papéis num saco de plástico. Ele é assim mesmo. É assim que se sente confortável."

Foi ele que serviu de inspiração para o movimento Giving Pledge (compromisso de doação), criado em 2010 por Warren Buffet, Bill e Melinda Gates, para convencer os bilionários de todo o mundo a doar mais de 20% de suas fortunas em vida. "Ele disse que devemos encorajar as pessoas a não dar apenas 50%, mas o máximo possível durante as suas vidas. Ninguém é melhor exemplo disso do que Chuck. Muitas pessoas falam comigo sobre como é que ele as inspirou. É realmente incrível", contou Bill Gates.

Também o bilionário Warren Buffett deixou fortes elogios a Feeney: "Chuck tem sido o modelo para todos nós. Se tens os heróis certos na vida, estás 90% no caminho certo. Chuck Feeney é um bom herói para se ter."

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