Migrações: Malta recebe 54 migrantes a quem Itália recusou dar "porto seguro"

Os migrantes foram resgatados pela ONG Mediterranea.

O Governo de Malta anunciou esta sexta-feira que um navio da sua Marinha vai encarregar-se de transportar para um porto da ilha os 54 migrantes resgatados na quinta-feira pela ONG Mediterrânea e que a Itália rejeitou.

A decisão foi tomada depois de um contacto com o Governo italiano, referiu o governo maltês em comunicado esta sexta-feira divulgado, tendo ficado acordado que, em troca, serão realocados outros 55 migrantes que se encontram atualmente em Malta. "Este acordo não afeta a situação em que esta operação foi realizada e em que Malta não tem responsabilidade legal, mas faz parte de uma iniciativa que promove o espírito europeu de cooperação e de boa vontade entre Malta e Itália", acrescenta a nota.

A organização não-governamental (ONG) italiana Mediterranea resgatou na quinta-feira 54 migrantes nas águas internacionais ao largo da Líbia, tendo pedido um porto seguro para realizar o desembarque destas pessoas. Na rede social Twitter, a ONG precisou que, entre as 54 pessoas resgatadas, estavam 11 mulheres, das quais três grávidas, e quatro crianças. Os migrantes foram resgatados numa zona de busca e de resgate ao largo da Líbia, nas águas internacionais do Mediterrâneo central (rota da Líbia para Itália).

Em reação ao pedido da Mediterranea, o ministro do Interior italiano e criador da política "de portos fechados", Matteo Salvini, recusou o pedido, sugerindo à organização que se dirigisse para Tunes (Tunísia). "Os migrantes a bordo (...) estão em águas líbias e neste momento estão mais perto (...) de Tunes do que da ilha italiana de Lampedusa", afirmou Salvini, que no passado chegou a defender que a Líbia era um porto seguro. "Se esta ONG quer realmente, no seu coração, salvar os imigrantes, siga a rota para o porto seguro mais próximo. Caso contrário, sabe que iremos ativar todos os procedimentos para impedir que o tráfico de seres humanos chegue a Itália", acrescentou.

A organização comunicou hoje de manhã que Malta tinha dado autorização para o desembarque, mas que "devido às características do navio e às condições psicofísicas das pessoas a bordo, não tinha capacidade para fazer a travessia" até àquele país. A ONG disponibilizou-se, no entanto, para ajudar barcos malteses ou italianos da Guarda Costeira a transferir os migrantes para o continente.

O ministro do Interior, Matteo Salvini, explicou hoje que Malta se disponibilizou para receber o navio, apresentando, portanto, o "porto seguro" que tinha sido pedido.

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