Michelle Obama não quer ser Presidente: "Já disse à minha filha que ela devia concorrer"

A ex-primeira dama dos Estados Unidos encontra-se numa roda-viva a promover a sua autobiografia, Becoming, à venda desde hoje. Um livro que é já um fenómeno de vendas, com três milhões de cópias em 31 países.

"Nunca fui fã de política, e a minha experiência nos últimos dez anos pouco fez para mudar isso. Eu continuo a ficar desanimada pela maldade", lê-se no livro de memórias, Becoming, lançado nesta terça-feira nos Estados Unidos e em Portugal.

Na terceira parte do livro, Becoming More, sobre a sua vida enquanto figura pública, Michelle Obama, de 54 anos, relembra que se sentiu "assombrada" pelas críticas e pelos julgamentos baseados na cor de pele que recebeu durante a campanha para a reeleição do marido, em 2012.

É um balde de água fria para quem vê em Michelle Obama a pessoa certa para enfrentar Donald Trump: experiência na Casa Branca, comunicadora nata, inspiradora para as minorias e para as mulheres e dona de uma mensagem positiva.

Michelle Obama pode não querer, mas os democratas desejam-na na Casa Branca. Se as eleições primárias se realizassem hoje com os candidatos propostos pela empresa de sondagens (McLaughlin & Associates) Joe Biden teria 19% de votos, seguida de Michelle Obama com 17%. Bernie Sanders recolhe 16% de votos, o dobro de Hillary Clinton, com 8%, noticia o Washington Examiner. Perante a possibilidade de escolher um candidato em 19, há um número significativo de indecisos, 16%.

Sasha e toda a gente deve concorrer

Em entrevista no programa Good Morning America, da ABC, Michelle Obama confirmou que não tem no horizonte concorrer às eleições de 2020. E em jeito de brincadeira disse que poderia desafiar a filha Sasha a concorrer.

"Neste momento toda a gente tem qualificações e toda a gente deve concorrer. Talvez dê um toque à Sasha para ela concorrer: 'Sasha, tens algum tempo livre? Acho que farias um trabalho fantástico'". Logo de seguida a apresentadora Robin Roberts questiona: "Diz isso devido ao que temos neste momento?", ao que Michelle ri-se e aponta o dedo a Roberts sobre a insinuação a Donald Trump antes de responder a sério.

Ainda sobre Sasha e Malia, Michelle, que foi entrevistada com o irmão Craig, afirmou sentir-se muito orgulhosa porque cresceram bem e "podia ter corrido tão mal". Agradeceu às filhas dos Bush, Jenna e Barbara, e dos Clinton, Chelsea, por terem ajudado as suas filhas. "Vou adorá-las para sempre pelo apoio que deram. Se alguém as perseguisse na imprensa, a Jenna respondia logo, a Chelsea escrevia um tuíte", recorda.

Altos e baixos com Barack

Se em Becoming Michelle mantém o círculo de amizades dentro do nível de privacidade, abre o livro quanto a questões pessoais e da relação com Barack - o que torna este livro único no que respeita à categoria de memórias de mulheres de presidentes dos EUA. No livro revela um aborto espontâneo que sofreu há 20 anos e que as suas filhas nasceram em resultado de fertilização in vitro. Também partilha os altos e baixos emocionais desse período, bem como das dificuldades de manter um matrimónio e de conjugar a vida familiar e a vida profissional.

Em entrevista à People, Michelle conta que o casal casado há mais de 25 anos recebeu aconselhamento matrimonial e que por vezes pensou em separar-se. "Vezes houve em que definitivamente eu desejei que as coisas tivessem sido diferentes", afirmou. Mas também deixou a seguinte mensagem: "É importante sermos honestos e dizermos que é normal quando estamos casados por vezes querermos sair do casamento. Eu senti isso."

Não perdooa Trump

Em Becoming - A minha história, publicado em Portugal pela Objectiva, a ex-primeira dama não esconde os sentimentos em relação ao atual presidente. De tudo o que Donald Trump disse e fez, o pior foi a teoria da conspiração a que deu voz sobre a falsa nacionalidade de Barack Obama.

"Toda a conversa era louca e mesquinha, é claro, e o preconceito e a xenofobia subjacentes dificilmente escondidos. Mas também era perigoso, deliberadamente destinado a agitar os extremistas e os malucos. E se alguém psicologicamente instável armado se dirigisse para Washington? E se essa pessoa fosse procurar as nossas meninas? Donald Trump, com as suas insinuações barulhentas e temerárias, colocou em risco a segurança da minha família. E por isso eu nunca o perdoarei", escreveu

Ainda sobre o casal Trump, Michelle revelou que Melania não quis receber conselhos seus e que durante a cerimónia da tomada de posse de Trump, tentou não rir, ao lembrar-se quem iria tomar o lugar de Barack. "Eu irei sempre perguntar sobre o que levou tantas pessoas, mulheres em particular, a rejeitar uma candidata excepcionalmente qualificada e, em vez disso, escolher um misógino como o seu presidente."

Chicago sempre

Na primeira parte do livro, Becoming Me, Michelle Obama recorda a infância e juventude em Chicago e detém-se na zona sul, onde cresceu. Como escreve o Washington Post, a ex-primeira dama demonstra a sua formação em Sociologia e em estudos Afro-americanos (mais tarde completou uma pós-graduação em Direito).

Michelle LaVaughn Robinson Obama mantém uma relação próxima com a cidade natal. Foi aí que lançou o livro e aproveitou para escrever uma carta aberta para o Chicago Defender a lembrar uma carta que o diretor da sua escola secundária ali publicou em 1975 e a forma como aquele defendeu a escola e a zona sul, ameaçada pela guetização e pela especulação imobiliária.

Becoming cumpre metade de um acordo que a editora Penguin Random House assinou com Michelle e Barack Obama cargo, no qual cada elemento do casal publica um livro em troca de um valor superio a 60 milhões de dólares.

Também em maio, a Netflix anunciou um acordo milionário para a produção de conteúdos relativos ao casal. Há quem aposte que é altura de Michelle seguir as pisadas da amiga Oprah Winfrey e ser, ela própria, apresentadora de um programa.

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