Michelle Obama apela ao voto em Biden "como se vidas dependessem disso"

A antiga primeira-dama criticou a "total falta de empatia" de Donald Trump, "o presidente errado" para os EUA, afirmou. Na convenção democrata, Michelle Obama disse que a vida dos norte-americanos vai piorar se não houver mudanças.

A antiga primeira-dama Michelle Obama defendeu o voto em Joe Biden nas eleições presidenciais de 3 de novembro, durante a Convenção Nacional Democrata, apelando aos eleitores para que votem "como se as suas vidas dependessem disso".

Num discurso em que recordou a violência policial e o racismo, mas também a pandemia de covid-19, Michelle Obama apelou à mudança dada a "total falta de empatia" do presidente republicano, Donald Trump.

"Mais de 150 mil pessoas morreram e a nossa economia está num caos por causa de um vírus que este presidente desvalorizou durante demasiado tempo", acusou.

"Se pensam que as coisas não podem piorar, confiem em mim, podem, e irão [piorar], se não fizermos uma mudança nesta eleição. Se temos alguma esperança de acabar com este caos, temos de votar em Joe Biden como se as nossas vidas dependessem disso", instou.

Michelle Obama denunciou ainda a "total falta de empatia" de Donald Trump, na primeira noite da convenção, afirmando que é "o presidente errado" para os Estados Unidos e apelando à eleição de Joe Biden a 3 de novembro.

"Ele simplesmente não pode ser quem precisamos que ele seja para nós. É o que é", disse.

A antiga primeira-dama criticou também a gestão de Trump dos protestos originados pela morte de George Floyd às mãos da polícia, em maio.

Recordando os nomes de Floyd e "das pessoas inocentes de cor que continuam a ser assassinadas", Michelle Obama apontou que "o simples facto [de afirmar] que 'as vidas dos negros contam' merece uma reação de decisão do mais alto representante da nação".

"Cada vez que olhamos para a Casa Branca em busca de liderança, ou conforto, ou alguma aparência de estabilidade, o que obtemos em vez disso é caos, divisão e uma completa e total falta de empatia", acusou a ex-primeira dama dos Estados Unidos, num discurso que encerrou a noite inaugural da convenção, que se realiza de forma virtual, por causa da pandemia.

"Nero tocava enquanto Roma se incendiava, Trump joga golfe", compara Sanders

Michelle Obama foi, juntamente com o senador Bernie Sanders, a estrela do dia no arranque da Convenção Democrata, na segunda-feira (madrugada de hoje em Portugal).

O ex-candidato à Casa Branca Bernie Sanders sublinhou que Trump provou ser incapaz de controlar a pandemia do novo coronavírus, de lidar com as consequências económicas e de enfrentar o racismo institucional nos Estados Unidos, bem como combater as mudanças climáticas que ameaçam o mundo.

"Nero tocava enquanto Roma se incendiava, Trump joga golfe", afirmou o senador, que terminou em segundo lugar, atrás do ex-vice-presidente Joe Biden, nas primárias democratas pela nomeação do partido.

Sanders advertiu os seus apoiantes para votarem em Biden nas eleições presidenciais, caso contrário todo o progresso alcançado pelos Estados Unidos "está em risco".

"Muitas das ideias pelas quais lutamos agora são maioritárias, mas se Trump for reeleito, todo o progresso que fizemos está em risco", salientou.

Irmão de Floyd pediu um momento de silêncio para honrar as vítimas de "ódio e injustiça"

Na convenção democrata, o irmão de George Floyd, cuja morte por asfixia às mãos de um agente da polícia desencadeou uma onda de protestos, pediu para que não se esqueçam dos nomes dos mortos por racismo.

"George deveria estar vivo hoje. Breonna Taylor deveria estar viva hoje. Ahmaud Arbery deveria estar vivo hoje. Eric Garner deveria estar vivo hoje. Por isso, cabe-nos a nós continuar. Nunca deixemos de dizer os seus nomes", apelou Philonise Floyd, enumerando os nomes de afro-americanos vítimas de violência racista nos últimos anos, durante o discurso que proferiu na convenção democrata.

George Floyd, de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis, sufocado por um polícia branco, apesar de ter implorado várias vezes para o soltar, dizendo que não conseguia respirar.

A morte, filmada por transeuntes e divulgada nas redes sociais, provocou uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial que se propagou por todo o mundo, com manifestações em que a palavra de ordem foi "Black lives matter" ("As vidas dos negros importam").

"As nossas ações serão o seu legado", acrescentou o irmão. "Para honrar George" e as restantes vítimas de "ódio e injustiça", Philonise pediu um momento de silêncio, durante o encontro dos democratas, que se realiza de forma virtual.

A luta contra o racismo e a violência policial estão entre os principais tópicos de debate na campanha para as eleições presidenciais de novembro.

A convenção democrata, que arrancou na segunda-feira na cidade de Milwaukee, no estado do Wisconsin, decorre até quinta-feira, altura em que o antigo vice-presidente Joe Biden deverá fazer o discurso de aceitação da candidatura democrata.

No encontro falarão também o ex-presidente Barack Obama (2009-2017), a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e a jovem congressista democrata Alexandria Ocasio-Cortez.

As maiores figuras do Partido Democrata não vão viajar para Milwaukee; apenas os delegados democratas naquela cidade discursarão no local.

Os outros discursos, incluindo os de Barack Obama, Hillary e Bill Clinton, bem como dos candidatos Kamala Harris e Joe Biden, serão transmitidos online.

Atualizado às 08.00

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG