México vai deter e deportar migrantes que atravessaram da Guatemala

O Governo mexicano avisou que vai deter e deportar todos os elementos da caravana de migrantes que atravessaram, nas últimas horas e de forma ilegal, o rio Suchiate, fronteira natural entre a Guatemala e o México.

"As autoridades transportaram até aos centros de migrações todas as pessoas estrangeiras que não estejam [no país] numa condição regular", informou em comunicado o Instituto Nacional de Migração (INM), citado pela agência espanhola Efe.

Este organismo acrescentou que "será resolvida a situação jurídica de cada pessoa e será feito o repatriamento assistido ao país de origem".

Cerca de três mil migrantes da América Central provenientes de uma nova caravana com origem nas Honduras tentaram esta segunda-feira atravessar a ponte de Rodolfo Robles na fronteira da Guatemala para entrar no México, mas sentaram-se a meio do caminho quando encontraram os portões mexicanos fechados.

Os migrantes, que formam uma nova caravana que pretende chegar aos Estados Unidos e atualmente na cidade guatemalteca de Tecun Uman, exigiam passagem livre pelo México, entrando pela cidade de Hidalgo, algo que as autoridades mexicanas recusaram.

As tropas mexicanas entraram em confrontos, no sábado, com alguns migrantes, lançando gás lacrimogéneo e fechando o portão, enquanto centenas de migrantes forçaram a entrada.

O México aumentou os esforços para evitar que os migrantes chegassem ao seu destino desejado -- os Estados Unidos -, sob a ameaça do bloqueio comercial e outras sanções por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Depois de duas caravanas terem chegado à fronteira norte-americana em 2018 e no início de 2019, o México começou a reprimir essas tentativas e, em abril do ano passado, as forças de segurança travaram a última tentativa de uma caravana, recolhendo os migrantes que caminhavam pela autoestrada.

Enquanto a caravana desta semana se aproximava, o México enviou soldados para patrulhar a fronteira sul, com a Guatemala, e monitorizou a área com 'drones'.

Caravanas anteriores convenceram as autoridades mexicanas a permitirem a travessia pela fronteira do Sul, por razões humanitárias ou pela via da força.

O Governo mexicano declarou que os esforços feitos durante o fim de semana foram um sucesso, dizendo que as tentativas dos migrantes entrarem no país na noite de domingo de "maneira desorganizada" foram "infrutíferas".

Os responsáveis mexicanos apresentaram nos últimos dias outras possibilidades aos migrantes que chegam até à fronteira com o seu território, ao prometer trabalho e uma hipótese de se manterem no país -- embora os detalhes fossem escassos, o que levou a que muitos temessem a deportação.

A oferta de emprego, e não apenas o estatuto legal ou de asilo, representou uma reviravolta nos esforços do México de tentar encontrar soluções humanitárias para os migrantes centro americanos que fogem da fome e violência nos seus países.

Não ficou claro qual o tipo de trabalho que o México tem em mente para os migrantes, tendo em conta que metade da população mexicana é pobre e milhões estão no desemprego.

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